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As PME vão ser chave na adaptação a esta nova realidade

“Vamos ter de ser arrojados, muito determinados e capazes de ler as oportunidades que vão surgir no mercado. As empresas portuguesas já deram provas de que temos o engenho e a determinação para superar e vencer mais este importante desafio”, diz Miguel Belo de Carvalho.

Filipe S. Fernandes 21 de Maio de 2020 às 16:30
Miguel Belo de Carvalho, administrador do Santander, afirma que as PME terão um papel decisivo nesta fase.
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"O Santander colocou todos os recursos do banco, tecnologia, digital, risco, operações e a área comercial, no atendimento a esta situação de emergência que é claramente um momento para apoiarmos a economia portuguesa e em particular a indústria", referiu Miguel Belo de Carvalho, durante a 3.ª webconferência PME no Radar, dedicada à indústria transformadora, numa iniciativa do Jornal de Negócios e do Santander.

Esta instituição financeira teve como principiais objetivos, desde que a crise da covid-19 foi declarada e levou ao confinamento da população, "garantir não só a segurança dos seus colaboradores, mas sobretudo o apoio a todos os clientes, à economia e à sociedade em geral através da disponibilização de um conjunto de iniciativas e de medidas com grande impacto nas famílias e nas empresas portuguesas".

Em termos de empresas, o grande foco foi apoiar a gestão de tesouraria das empresas e fazer chegar o mais depressa possível as ajudas através das linhas de apoio à economia covid-19. Como explica Miguel Belo de Carvalho, "adotámos medidas que agregadamente permitem às empresas respirar financeiramente nos próximos meses, através da renovação automática de linhas de crédito de curto prazo, das moratórias, incluindo a moratória do Estado que vai vigorar até 30 de setembro de 2020".

Cerca de 40% da carteira de crédito do Santander a PME está nesta altura em moratória de capital. O banco promoveu também o acesso às linhas protocoladas, tanto as linhas gerais, como as setoriais, como a capitalizar e a iniciativa à inovação.

Economia diferente

Em relação ao impacto destas linhas, dos 150 mil clientes empresas, metade tem crédito e desses 15 mil pediram ajuda através das linhas covid-19. Para além disso, já têm 3 mil operações formalizadas num montante próximo dos 500 milhões de euros. "O que é um número bastante importante nesta fase da crise que estamos a passar", garante Miguel Belo de Carvalho.

Para o administrador do Santander, a economia portuguesa está muito diferente do que era há dez anos. "Está mais estruturada tanto em termos económicos como financeiros, tecnológicos e capacidade de gestão." Entende que esta crise vai ser um desafio de gestão para todas as empresas. No entanto, considera que haverá oportunidades não só ao nível da integração em cadeias de valor, das cadeias de distribuição e de logística, mas também de consolidação setorial, que surge sempre em momentos de grande disrupção.

Miguel Belo de Carvalho sublinhou ainda que a economia digital, que é transversal a todos os setores, vai ganhar muita força e um desenvolvimento muito forte. "O que iria acontecer nos próximos dois ou três anos vai ser antecipado com uma curva muito mais acelerada do que em condições normais".

Na sua opinião, os impactos não atingem apenas a alteração radical do comportamento dos consumidores, vão atingir os próprios agentes económicos. "Todas as cadeias de valor vão passar a incorporar este tipo de economia digital que vai acelerar seguramente desde os serviços, ao comércio, à indústria. Haverá mais soluções com mais eficiência em tudo o que sejam transações de bens e serviços."

Vamos ter de ser capazes de ler as oportunidades que vão surgir no mercado. miguel belo de carvalho
Administrador do Santander Portugal 

Para Miguel Belo de Carvalho as PME vão ser chave em todo este processo na adaptação a esta nova realidade, como aconteceu na última crise. Na sua opinião capacidades de empreendedorismo e tecnológicas não faltam aos nossos empresários como não falta ao país. "Mas vamos ter de ser arrojados, muito determinados e capazes de ler as oportunidades que vão surgir no mercado. As empresas portuguesas já deram provas, de que temos o engenho e a determinação para superar e vencer mais este importante desafio."


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