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As start-ups na economia de emergência

A Habit Analytics permite que o dinheiro do seguro de um automóvel que não anda possa passar para a saúde, a Prodsmart permite que as fábricas se repensem, e a Alfredo AI apoia os mediadores e os bancos com as avaliações rápidas de imobiliário. São PME tecnológicas e digitais.

Filipe S. Fernandes 02 de Abril de 2020 às 12:30
Reuters
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A Habit Analytics trabalha sobretudo para seguradoras, como a Allianz ou a SAVA, cuja principal atenção está, agora, em manter o nível de serviço aos seus clientes diretos, os tomadores de seguros. A Habit Analytics tirou partido da agilidade típica de uma start-up e fez um processo de reorganização, tendo como prioridades a segurança de toda a equipa, a reorganização do roadmap de produto e a “conservação de liquidez da empresa para estar na melhor posição possível para acompanhar os nossos clientes à medida que estes retomam a sua atividade”, refere Domingos Bruges, CEO da Habit Analytics.

Para Domingos Bruges, os produtos da Habit “têm um conjunto de características que lhes conferem ainda mais valor nos dias em que vivemos”. Exemplifica com o produto automóvel com um conceito de “pagar por km”, em que o cliente final paga o seguro automóvel em função do número de quilómetros efetuados. “Num período em que a maior parte dos carros domésticos no mundo inteiro está parada e em que a população necessita igualmente de gerir a liquidez do agregado familiar, para as seguradoras é a oportunidade de proteger os seus clientes e ajudar os mesmos a canalizar o dinheiro para áreas como a saúde preventiva”, sublinha.

Finança digital

A empresa tem como acionistas Funders Club (USA), Banco BIG, Sonae IM, Plug & Play (USA), Techstars (USA), Ideias Glaciares, Novabase e funciona com 20 pessoas que estão em trabalho remoto com os procedimentos e as ferramentas que já eram utilizadas. “Apenas temos incentivado o aumento e a regularidade da comunicação entre equipa, para compensar a saudade, a informalidade de contacto que sempre existiu e agora precisa de uma videoconferência marcada no calendário ou, simplesmente das conversas de final dia...”, considera Domingos Bruges.

O modo digital como o sistema financeiro está obrigado a funcionar por causa da pandemia de covid-19, tem sido uma oportunidade para a Loqr, que tem visto os negócios aumentarem por causa da “necessidade da prestação de serviços bancários à distância”, como refere Ricardo Costa, CEO da empresa, que tem escritórios em Braga, Porto, Felgueiras e Londres.

A necessidade premente de os bancos fazerem uma transição simples e rápida para o mundo digital tem de ter uma resposta rápida, nomeadamente ao nível de serviços de contratação à distância, recuperação de acessos, certificação de contactos, manutenção de dados, abertura de conta, entre outros serviços. Para no fim de contas terem “uma plataforma que lhes fornece as ferramentas necessárias para a criação de um verdadeiro canal digital integrado, sempre em linha com a necessária segurança e em cumprimento com compliance”, refere Ricardo Costa, que tem os 36 trabalhadores em teletrabalho.

A start-up das fábricas

A start-up Prodsmart apoia a otimização dos processos industriais e, segundo Gonçalo Fortes, “de momento, grande parte dos nossos clientes (setor da indústria) continua a laborar. Em geral, têm feito ajustes aos seus processos e ritmos de produção, uns aumentando a produção, outros reduzindo ou ajustando os turnos para evitar a concentração de pessoas no chão de fábrica”.

O modelo de negócio é tendencialmente remoto e todo o processo de vendas e gestão de relação com o cliente foi sempre feito maioritariamente à distância, por isso os processos mantêm-se. A equipa de 15 pessoas é que está a trabalhar remotamente há cerca de três semanas.

Engenheiro informático e apaixonado por gadgets e tecnologia, considera que a pandemia de covid-19 implica uma gestão ao dia e que os constrangimentos ou oportunidades para a Prodsmart vão ser respondidos à medida que as próprias empresas da indústria vão descobrindo o impacto que o covid-19 tem na sua estrutura e nos seus negócios, e as formas de se adaptar.

Com 115 clientes, sublinha que o facto de ser uma solução que pode ser usada para gerir o chão-de-fábrica a partir de outro lugar, estamos a ter clientes a explorar novas potencialidades da solução, que antes não tinham necessidade de usar, e acreditamos que esta será uma oportunidade para muitas fábricas reverem e repensarem os seus processos e métodos de trabalho”.

Vocação imobiliária

O Alfredo AI é uma start-up especializada em inteligência artificial, vocacionada para o mercado imobiliário através do desenvolvimento de tecnologias de big data e machine learning, que deu os primeiros passos no verão de 2018, envolvendo Guilherme Farinha, Mário Gamas, João Januário e Gonçalo Abreu, engenheiros do Instituto Superior Técnico.

Começaram a sentir o impacto da pandemia de covid-19 no início do mês de março, com o agravamento da situação em Itália, quando se deu o abrandamento das vendas no mercado imobiliário junto das duas mediadoras imobiliárias que usam o Alfredo AI.

“Nós fornecemos serviços de informação à mediação e este setor está a ser bastante penalizado. No entanto, estamos cá para ajudar o seu processo de digitalização, extremamente importante nesta altura. Continuaremos ao lado dos nossos clientes, agora mais do que nunca”, garante Gonçalo Abreu.

Nesta altura, um dos principais clientes é a banca, com quem estão a trabalhar para a navegar estes momentos complicados. “Temos a capacidade de estimar o valor de portefólios imobiliários de forma granular, rápida e transparente”, sublinha Gonçalo Abreu. Acrescenta que “uma ferramenta como a nossa plataforma é essencial para perceber o que está a acontecer ao mercado em tempo real”.

 

Continuaremos ao lado dos nossos clientes, agora mais do que nunca.Gonçalo abreu
Responsável da Alfredo AI

 
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