Best Digital Strategic Tools: Uma ferramenta de gestão em tempo real

Esta rede integra não só a gestão da rede de abastecimento de água, como a rede de águas residuais, a rede de águas pluviais e ainda as ribeiras e as praias do Porto e recolhe informação de mais de 22 origens diferentes para mais de 400 utilizadores.
David Martins
pub
Filipe S. Fernandes 06 de fevereiro de 2019 às 10:30

"O Porto é uma cidade em que existem projetos muito concretos de criação de infraestruturas tecnológicas, de apoio e promoção do empreendedorismo e dos centros de conhecimento", explica Frederico Martins Fernandes, presidente das Águas do Porto.
Acrescenta que "não faria sentido que a empresa gestora de águas da cidade não integrasse e promovesse este ecossistema explosivo e inovador de criação de valor e de desenvolvimento de tecnologias que pudessem desenvolver o negócio e permitir prestar melhores serviços aos cidadãos".
Em 2015 foi lançado o desafio de construir a Plataforma Tecnológica da Águas do Porto, que consistia em visualizar, num único interface, tudo o que se passava na empresa, em tempo real, constituindo uma ferramenta central de visualização de informação, de apoio à decisão e de integração de múltiplos interfaces e sistemas.
Ouvir as críticas
Criaram uma equipa multidisciplinar interna, para reunir conhecimento transversal da empresa e idealizou-se a arquitetura do sistema. Como explica refere Frederico Martins Fernandes, "seria necessário integrar sistemas complexos de diferentes áreas de negócios, com diversos parceiros, com soluções tecnológicas muito distintas e com maturidades muito diversas".
Concluíram rapidamente que não estava disponível no mercado nenhuma solução de gestão integrada do ciclo urbano da água como a pretendida.
Foi lançado um concurso internacional e, no final, foi adjudicada a proposta de um consórcio de empresas portuguesas que reúne várias valências, desde a tecnologia, à modelação numérica passando pela engenharia hidráulica.
"Não escondemos que ouvimos muitas vezes de parceiros e outros agentes, que o projeto não era viável, inapropriado para a empresa e que não seria possível implementar", relembra Frederico Martins Fernandes.
Mas reconhece que "a humildade em ouvir estes importantes avisos de quem tem muita experiência no setor, ajudou a adaptar as nossas ambições, em diversas fases do projeto, e em endereçar pormenores de gestão que estão muito para além do uso de tecnologia".
A plataforma tecnológica H2 Porto recolhe informação de mais de 22 origens diferentes e apresenta-a de forma integrada e uniformizada para mais de 400 utilizadores. Esta rede integra não só a gestão da rede de abastecimento de água, como a rede de águas residuais, a rede de águas pluviais e ainda as ribeiras e as praias do Porto.
Gestão e integração
A criação da plataforma tecnológica H2Porto teve como premissa base a criação de um instrumento de gestão de informação, integrador de dados recolhidos a partir de diferentes fontes (nos quais se incluem os sensores, dados recolhidos na gestão operacional, sistemas geográficos, sinais de automatismos em equipamentos), bem como resultados de modelos de simulação numérica de redes hidráulicas, de dados provenientes de sistemas SCADA/telegestão, de sistemas de previsão meteorológica, de sistemas de operação.
A integração dos diferentes dados recolhidos, permite antecipar comportamentos da rede de água face a falhas no abastecimento, episódios de poluição e inundação, com recurso a instrumentos de modelação matemática de redes, para implementar um sistema de apoio à decisão de operação, de controlo remoto e informação ao público. O sistema de gestão operacional das várias equipas passou a ser feito com recurso a dispositivos mobile.
A sua implementação foi efetuada de forma faseada tendo em conta as metas estabelecidas e alguns constrangimentos operacionais das equipas de terreno e de apoio. Mas, como refere Frederico Martins Fernandes, "a H2Porto não é, de todo, um fim em si mesmo, já que tem um roadmap de evolução ambicioso para os próximos anos".

pub