Como fazer um fundo de emergência?

A tendência para a redução do rendimento disponível, com aumentos de impostos e reduções salariais, torna mais difícil a tarefa de colocar dinheiro de parte. Mas é, também, nos tempos de incerteza que é mais importante a criação de um fundo de emergência
Edgar Caetano 31 de outubro de 2010 às 09:00
Uma súbita perda de rendimentos, como o desemprego, ou a necessidade de assumir uma despesa inesperada com a casa ou com o carro, ou mesmo um problema de saúde. São tudo situações imprevistas que podem obrigar os mais incautos ao endividamento e a encargos adicionais com juros. É por isso que os especialistas e o senso comum aconselham a constituição de um fundo de emergência. Para que, num aperto, se possa concentrar na solução do problema sem colocar a sua subsistência em risco.

E quanto é aconselhável colocar de parte? Naturalmente, essa quantia depende da realidade social de cada pessoa ou de cada agregado familiar. Factores como a existência e número de dependentes e o nível de despesas fixas são determinantes para a equação. No entanto, como regra, para salvaguardar por exemplo uma súbita perda do salário recomenda-se a constituição de um fundo de emergência equivalente a seis meses das despesas essenciais.

Quanto gasta mensalmente no pagamento de empréstimos? Quanto gasta em alimentação, em luz e água? E em educação? Some todas essas despesas e multiplique o resultado por seis meses. Ficará com uma ideia daquilo que deverá aprovisionar para garantir que as suas contas não fiquem desequilibradas com um imprevisto.

Pedro Moreira, director da Deco Proteste, vai mais longe. "É importante ter uma almofada financeira para fazer face a dificuldades imprevistas, que deve ser igual a três a seis vezes o rendimento mensal", afirmou na apresentação da edição deste ano da Infovalor, uma feira de poupança e investimento. Garante-se, assim, que não existirão impactos sobre a capacidade financeira durante um período de carência enquanto, por exemplo, se encontra novo emprego ou se começa a receber subsídio de desemprego.

Onde colocar o dinheiro?
Os especialistas recomendam uma aplicação com o mínimo de risco possível associado e uma fácil movimentação. Ainda que deva procurar a maior rendibilidade possível num produto financeiro com este objectivo, a prioridade aqui vai para a flexibilidade.

A maioria dos depósitos a prazo pode ser liquidada no próprio dia, mas a rendibilidade é, sobretudo nesta altura, muito baixa. Um factor a ter em conta é o prazo do juro. O ideal é optar por produtos renováveis de maturidade a um mês, para que se precisar de resgatar não perca os juros de um período mais dilatado. É claro que aí torna-se necessário obter uma taxa de juro superior à inflação, para evitar a desvalorização do capital.

Daí que o investidor possa ter em contas alternativas que, ainda que a mobilização possa ser feita com alguma antecedência, podem oferecer uma rendibilidade mais atractiva. Os fundos de tesouraria podem ser uma boa forma de "estacionar" o dinheiro, já que são produtos de baixo risco e envolvem comissões reduzidas.

Com apostas em activos de baixa volatilidade e com elevada liquidez, os fundos de tesouraria são o produto mais recomendado pelos especialistas para este efeito.






Ideias-chave

Um "Kit" de Primeiros-Socorros

Os imprevistos acontecem
Esta poderá parecer-lhe a pior altura possível para colocar dinheiro de parte. Mas é precisamente nos momentos de maior incerteza que é necessário "estacionar" uma quantia que lhe garanta a subsistência num momento de aperto. Para que possa concentrar-se na resolução do problema.

Quanto deve colocar de parte
Os especialistas dividem-se e essa é uma questão que varia consoante a realidade social de cada um, mas o mínimo a considerar corresponde a seis meses de despesas fixas. Mas o ideal para responder a uma situação de perda de emprego, por exemplo, é a acumulação de seis ordenados.

Baixo Risco, elevada Liquidez
Existem vários tipos de produtos financeiros nos quais pode guardar este "kit de emergência". Os depósitos a prazo podem ser uma boa opção, mas há que ter em conta o prazo para evitar perder juros caso precise de movimentar o capital. Informe-se sobre fundos de tesouraria, um dos produtos mais recomendados pelos especialistas.






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