Como interpretar os indicadores do mercado de acções?

Nem sempre um acção barata é, na realidade, barata. Os bons negócios existem. Mas, para os identificar, são precisos investidores atentos e conhecedores dos mercados. Saiba quais os rácios que podem transformar as suas poupanças numa fortuna.
Paulo Moutinho 31 de outubro de 2010 às 09:00
Não é preciso ter uma "bola de cristal" para ganhar na bolsa. O mercado accionista é, na grande maioria das vezes, racional. Ou seja, movimenta-se em função da oferta e da procura, sendo esta determinada pela avaliação que os investidores fazem das empresas cotadas e das suas perspectivas de evolução. Se pretende investir as suas poupanças na bolsa, precisa de ter em conta vários factores, pois só assim poderá fazer a escolha mais acertada. Em primeiro lugar, convém que conheça a empresa em que pretende investir - esta é uma das regras do investidor mais respeitado, que dá pelo nome de Warren Buffett.

Depois terá que ter em consideração uma série de aspectos financeiros para poder determinar se a acção em que pretende investir tem potencial. E é aqui que os rácios assumem vital importância. Há vários. Mas um pequeno conjunto é suficiente para tomar uma decisão.

O mais relevante, ou pelo menos o mais conhecido, é o "Price Earnings Ratio" (PER). É o que lhe permite avaliar se a empresa está barata ou, pelo contrário, cara, tendo em conta os lucros que essa cotada apresenta. A evolução dos resultados deve ser acompanhada através do "Earnings Per Share" (EPS).

Um rácio isolado, de pouco servirá para avaliar correctamente uma empresa. É importante ter também em consideração outros, como o rácio entre o valor das acções e o dos activos dessa empresa. E também o da dívida da empresa face ao EBITDA, de forma a conseguir ter uma melhor percepção da saúde financeira da cotada.

A "velha" caça aos dividendos
Um dos grandes atractivos do investimento em acções é os dividendos. A remuneração accionista - que resulta da entrega aos detentores de acções de parte dos lucros obtidos - tende a ser um factor decisivo na selecção dos investidores, na altura de escolher entre uma ou outra empresa.

Se uma acção a 0,50 euros não é, necessariamente, um bom negócio, o mesmo acontece com uma empresa que pague um dividendo de 0,50 euros. Não deve olhar para o valor, mas sim para a rendibilidade que a remuneração oferece face ao valor investido. Quanto mais alta, melhor.


Cinco rácios para ganhar na bolsa

1. Lucros por acção
Os lucros por acção reflectem o resultado líquido da empresa dividido pelo número de acções disponíveis. Permitem ao investidor perceber qual o proveito obtido pela empresa, sendo este um indicador importante na comparação entre o resultado apresentado e o estimado pelo mercado. Se os lucros por acção superarem as previsões, os investidores tendem a reagir positivamente às contas, já que é um sinal de que a empresa está a conseguir crescer a um ritmo superior ao esperado.

Conheça um exemplo
O BCP revelou lucros de 217,4 milhões, nos primeiros nove meses de 2010. O valor representa um resultado líquido por acção de 0,05 euros, que ficou aquém da média das estimativas dos analistas.


2. A cotação e os lucros por acção
O "Price Earnings Ratio" (PER), que significa a relação entre a cotação e os lucros por acção, é um dos indicadores mais utilizados pelos investidores. Permite auferir se as acções da empresa estão baratas, ou caras, face aos resultados líquidos que obtém. É, no entanto, um rácio que espelha o momento actual e não as perspectivas futuras. O mercado tende a antecipar a melhoria ou deterioração dos resultados, sendo, por isso, mais relevante a análise ao PER estimado, que tem por base as projecções de lucros.

Conheça um exemplo
Uma cotada com um PER de 25 vezes de um sector cujo rácio não supera as 10 vezes, está, em teoria, cara. E se o PER estimado for ainda mais elevado do que o actual, significa que a estimativa é de queda dos resultados.


3. Cotação sobre o valor contabilísitico
O "Price to Book Value" permite aos investidores analisarem o preço da acção de determinada empresa, tendo em conta o valor dos seus activos. Quanto mais baixo for o rácio entre estes dois dados, mais barata estará a empresa. Um rácio baixo significará, em príncipio, que os investidores estão a avaliar incorrectamente a cotada. seja por antecipar uma deterioração do valor dos activos, ou simplesmente porque a empresa é de um sector perante o qual o mercado revela grandes receios.

Conheça um exemplo
São muitos os bancos que transaccionam abaixo do valor dos activos. Um bom exemplo, em Lisboa, é o BCP, que apresenta um rácio de 0,52 vezes. Em teoria, o valor justo das acções seria o dobro do actual.


4. Dívida líquida sobre EBITDA
O rácio entre a dívida líquida e o EBITDA é utilizado para analisar a saúde financeira das cotadas. Quanto mais elevado for este rácio, mais endividada está a empresa, o que é visto como positivo em momentos de expansão. Mas esta é uma situação que os investidores acabam por penalizar em alturas de menor crescimento, já que, tendencialmente, a empresa enfrentará custos mais elevados com juros, dado o nível de endividamento, o que penalizará os resultados financeiros e os lucros.

Conheça um exemplo
Uma empresa com um rácio de 10 vezes a dívida líquida face ao EBITDA está alavancada, podendo esta situação ser explicada por uma aquisição. A cotada teria que aplicar o resultado operacional de 10 anos para pagar a dívida.


5. Rendibilidade do dividendo
A rendibilidade do dividendo é um dos aspectos mais valorizados pelos investidores. Este rácio permite perceber se a empresa em que se investe é generosa com o accionista, no que respeita à distribuição dos lucros auferidos durante o exercício. Quanto mais elevada for a remuneração, em função da cotação no mercado, mais rentável será o investimento realizado pelo investidor. No entanto, nem sempre um dividendo elevado em valor é sinónimo de elevada rendibilidade para o investidor.

Conheça um exemplo
O dividendo mais elevado nem sempre é o mais rentável. Mas pode ser. Em Lisboa, o retorno da remuneração da PT chega aos 5,5%, tendo em conta o dividendo de 0,575 euros e o valor das acções, de 10,44 euros.







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