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O que fazer às poupanças perante o agravamento da crise da dívida

Se ainda não vendeu as suas acções, também não o faça agora que estão em mínimos. Se quer entrar no mercado, o melhor é esperar até que a situação da Grécia se esclareça. Analistas consideram que a Europa vai manter o apoio financeiro a Portugal, caso a Grécia saia do euro, assegurando a solvência do País.

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Se ainda não vendeu as suas acções, também não o faça agora que estão em mínimos. Se quer entrar no mercado, o melhor é esperar até que a situação da Grécia se esclareça. Analistas consideram que a Europa vai manter o apoio financeiro a Portugal, caso a Grécia saia do euro, assegurando a solvência do País.

Uma eventual saída da Grécia do euro põe em risco os meus depósitos?

As notícias recentes sobre o levantamento de milhões de euros em depósitos nos bancos gregos são motivo de apreensão, mas não são uma novidade. Desde Abril de 2010, quando o país pediu assistência financeira externa, os bancos já perderam mais de um quinto dos depósitos. Já em Portugal, as poupanças confiadas às instituições financeiras têm vindo sempre a crescer, num sinal de confiança. Os analistas do Rabobank consideram que caso a Grécia saia do euro pode assistir-se a um levantamento de depósitos na Irlanda e em Portugal. Mas, como observa o Crédit Agricole, a ajuda externa aos dois países nunca estará em causa, assegurando a solvência do país. "Dada a sua quota nos activos e PIB da Zona Euro, Portugal e a Irlanda seriam rapidamente protegidos através de uma extensão dos actuais programas de assistência financeiras e medidas específicas da União Europeia e do BCE", afirma o banco francês num relatório divulgado terça-feira.

Devo vender as minhas acções nacionais?

A bolsa de Lisboa tem sido uma das mais penalizadas pelos receios em torno da Grécia, com os investidores a temerem um efeito de contágio. Caso a economia helénica se veja forçada a abandonar a Zona Euro, Portugal pode ser a próxima vítima. Quem já tem acções deve vender? Duarte Caldas, analista da IG Markets, não o aconselha: " Ou já tinha vendido ou agora, nos mínimos, não faz sentido". Também André Mateus de Almeida, da sala de mercados do Montepio, defende que, no actual contexto, "os investidores deverão adoptar uma atitude cautelosa, e 'esperar para ver'".

Esta é uma boa oportunidade para entrar no mercado?

Não. Apesar de haver muitas empresas em níveis historicamente baixos, um pouco por toda a Europa, os investidores defendem que, se não está no mercado, não entre agora. "Entrar agora é como apanhar uma faca em queda livre", considera Duarte Caldas. Para o analista do Banco Carregosa, "quem quer comprar, provavelmente deveria esperar mais algum tempo até a situação da Grécia estar mais esclarecida". Ou seja, os investidores devem, neste momento, adoptar uma postura cautelosa e ficar à margem do mercado. Contudo, para quem tiver um horizonte temporal mais alargado, os investidores defendem que pode fazer sentido considerar algumas opções, tendo em conta os níveis atractivos em que negoceiam algumas empresas.

Que investimentos podem servir de refúgio para as poupanças?

A resposta dos especialistas consultados pelo Negócios é quase consensual neste aspecto. A moeda norte-americana é um dos principais activos refúgio em conjunturas de volatilidade e incerteza, mas sobretudo nesta em que se teme o agudizar da crise da dívida soberana da Zona Euro. "Para o imediato, e dado que os problemas se centram sobretudo na moeda única, o dólar parece ser um bom activo de refugio", afirma Duarte Caldas.

Também as Obrigações do Tesouro norte-americanas e alemãs podem servir de protecção, ainda que os analistas alertem para a forte procura recente. O analista da IG Markets aponta ainda o ouro, dada a correcção que registou recentemente , provocada pela valorização do dólar. Já Pedro Lino, administrador da Dif Broker, advoga que "em alturas de incerteza como esta, o único refúgio é são as aplicações em liquidez (depósitos e dívida de curto prazo) e ter paciência". Também o responsável do Montepio lembra que os investidores portugueses "continuam a ter acesso a produtos de poupança com rendibilidades reais positivas, como os depósitos a prazo ou até mesmo obrigações de empresas portuguesas de melhor qualidade creditícia e com negócios estáveis".

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