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Queda da taxa de poupança contribuiu para a crise da dívida soberana

Aforro das famílias caiu de 24% do rendimento disponível em 1985 para cerca de 10%, actualmente, assinala o estudo A Poupança em Portugal , realizado pela Universidade do Minho.

André Veríssimo averissimo@negocios.pt 15 de Novembro de 2011 às 13:01
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“A queda da taxa de poupança contribuiu para os desequilíbrios económicos que se avolumaram nos últimos anos e que resultaram na crise da dívida soberana”, concluem os autores do estudo que está a ser apresentado hoje de manhã numa conferência organizada pela Associação Portuguesa de Seguradores, em Lisboa.

O trabalho do Núcleo de Investigação Políticas Económicas da Universidade do Minho assinala que “em geral, os países com crises da dívida soberana partilharam tendências decrescentes da taxa de poupança”. Os autores defendem que a saída da crise “terá de passar pela recuperação da importância da poupança no discurso e na prática dos portugueses”.

A taxa de poupança das famílias portugueses desceu de quase 24% do rendimento disponível em 1985 para 10% no final dos anos 1990. Desde então tem estado estável, à excepção do período 2005-2008, no qual baixou para 7%.

Uma das razões apontadas para a tendência de diminuição do aforro é o desenvolvimento do sistema financeiro português, que permitiu uma maior facilidade e generalização do acesso ao crédito. O desenvolvimento do sistema de Segurança Social também desincentivou a poupança.

O trabalho critica ainda as "alterações constantes de regras", como as que ocorreram nos certificados de aforro e nos benefícios fiscais, que "não enquadram as poupanças adequadamente".

O aumento da riqueza das famílias que se verificou no período seguinte à adesão à União Europeia ficou marcado pelo aumento do consumo e diminuição das taxas de poupança. Uma redução que de deve “em 80% da redução do contributo das famílias e em 20% da redução do contributo das empresas”.

O estudo, coordenado pelo professor Fernando Alexandre, assinala o contributo negativo dado pelo sector público nas últimas décadas, devido aos défices orçamentais. “Este contributo negativo reflectiu-se no crescimento da dívida pública, em especial na primeira década do século XXI, que acabou por se revelar insustentável”.

Em relação às empresas, o trabalho destaca a” relação entre a redução da poupança das empresas não financeiras e o aumento do pagamento de juros e de dividendos a partir de 2004”.
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