Seis conselhos para preservar as suas poupanças

Poupar é menos complicado do que parece. Siga os conselhos do Negócios e assegure que chega ao fim do mês com mais dinheiro e mais hipóteses de, após informar-se, rentabilizar a sua poupança.
Seis conselhos para preservar as suas poupanças
Diogo Ferreira Nunes 31 de outubro de 2014 às 13:12

1. Crie o seu próprio orçamento e descubra as "gorduras"

Poupar está mais ao seu alcance do que imagina. Exige algum esforço, mas pode ser compensador. Tudo começa num orçamento. Tal como o Governo, pode criar um documento que resuma as receitas e despesas do seu agregado familiar. Sem défices nem derrapagens.

 

Com uma folha A4, um Excel ou mesmo através das ferramentas disponibilizadas "online" pelas instituições financeiras, pode começar a apontar os rendimentos que obtém, mas principalmente todos os seus gastos.

 

As facturas, por exemplo, não servem só para pedir o número de contribuinte. Também indicam quanto é que estamos a gastar, por exemplo, no supermercado ou com o telemóvel. Comece a verificar quanto gasta todos os meses. Produto a produto, serviço a serviço. Seja escrupuloso, raciocine e descubra onde estão as suas "gorduras" no orçamento familiar.

 

Veja quais são os gastos acessórios, como os pode reduzir, ou mesmo eliminar, de forma a que consiga poupar. "É aconselhável planear o orçamento de forma a obter uma determinada poupança, por exemplo, de 10% dos rendimentos", diz o Banco de Portugal. Essa poupança, uma vez encontrada a forma de a obter, deve passar a ser vista como uma despesa.

 

2. Trace objectivos para o dinheiro que deixa de lado

Sonhar, não custa. Concretizar custa menos do que parece. Como? Com método. A parte psicológica desempenha um papel muito importante na poupança. É tudo uma questão de motivação, por isso, depois de reconhecer a necessidade de colocar algum dinheiro de lado, comece a pensar no que quer fazer com ele.

 

O importante na poupança é que se estabeleça objectivos, de preferência definidos por todo o agregado familiar para que todos contribuam nesse sentido. E há várias metas que pode estabelecer. Algumas materiais, outras nem tanto. Umas mais rapidamente alcançáveis, outras de muito longo prazo.

 

Deve poupar "não só antes da aquisição de bens mais onerosos, como um carro ou equipamentos domésticos, mas também para se fazer uma viagem. É ainda importante poupar para ter uma entrada para comprar uma casa" de forma a reduzir o valor em dívida junto da instituição financeira, alerta o Banco de Portugal.

 

A poupança deve ter também como finalidade prevenir situações imprevistas como uma redução do rendimento, mas deve também ser feita no sentido de procurar acumular durante a vida activa fundos suficientes para que possa ter uma reforma sem grandes problemas financeiros.

 

3. Informe-se antes de investir a poupança

Conhecer os termos, perceber como funcionam os produtos de poupança e investimento (além dos associados aos créditos), é essencial para fazer decisões acertadas com o seu dinheiro. Requer sempre um esforço pessoal, mas esse tende a ser compensado pelo facto de evitar situações mais complicadas.

 

O Banco de Portugal, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e  o Instituto de Seguros de Portugal criaram em 2011 o Plano  Nacional de Formação Financeira. Através do portal www.todoscontam.pt, os consumidores podem obter esclarecimentos sobre os produtos em que estão interessados e comparar as diferenças.

 

Contudo, "geralmente, as pessoas procuram informação junto da pessoa que vende" esse produto, diz António Ribeiro. "Se tiverem dúvidas sobre um produto, procuram esclarecimento junto da própria instituição", diz o economista da Proteste Investe, contactado pelo Negócios. Contudo, alerta, "nem toda a informação é fidedigna nem isenta".

 

4. Diversifique os investimentos e diminua os riscos

Pior do que uma má aposta no mercado financeiro, é ela levar todas as poupanças de uma vida. A melhor forma de preservar o seu património é investir de forma diversificada, investindo o dinheiro em vários produtos, classes de activos e geografias.

 

"Ao colocar todas as suas poupanças num só produto, pode perder tudo aquilo em que tiver investido", alerta António Ribeiro.  Se diversificar, "mesmo que haja uma perda num produto, está a salvaguardar a sua poupança", recorda o economista da Proteste Investe.

 

A diversificação é uma das vantagens de investir em fundos de investimento, que aplicam as poupanças dos clientes num vasto cabaz de títulos. Têm ainda a vantagem de serem geridos por profissionais.

 

Se só investe em depósitos, ter contas em vários bancos ou vários titulares na mesma conta também permite proteger as poupanças. O Fundo de Garantia de Depósitos salvaguarda o seu dinheiro depositado por cada depositante e por cada banco. "No caso de ter 300 mil euros no banco, se for apenas de um titular, o Fundo só cobre até aos 100 mil euros. Se, para o mesmo montante, houver três titulares, cada um com 100 mil euros, esses três depósitos estão totalmente assegurados", explica António Monteiro.

 

5. Saiba que tipo de investidor é e coloque travões às perdas  

Cada investidor tem um perfil de risco, que varia em função das necessidades de poupança, da disponibilidade para assumir perdas e do grau de conhecimento dos produtos financeiros. Por exemplo, uma poupança de curto prazo ou um fundo de emergência nunca devem ser aplicados em instrumentos com risco de perda de capital. O mesmo acontece com quem sempre investiu em depósitos e não está familiarizado com outros produtos. "Os bancos são obrigados a estabelecer e a classificar os clientes em vários perfis", refere António Ribeiro, economista da Proteste Investe. Classificações servem para proteger o investidor de perdas para as quais não está preparado.

 

Se optar por produtos financeiros com risco de perda de capital, há que definir objectivos, para não deixar que as emoções ameacem as suas poupanças. Não ceda à tentação de vender uma acção à primeira queda: afinal é suposto tratar-se de um investimento de longo prazo. Mas, para não ter dissabores, pode sempre definir quais as perdas máximas a que está disposto. Estas podem ser registadas através do intermediário financeiro, desencadeando a venda dos títulos quando o patamar é atingido. São as chamadas "stop losses".

 

6. Esteja atento e seja flexível com a poupança

O facto de já estar a preservar e até a rentabilizar a sua poupança, não quer dizer que a sua missão já está concluída. É só o começo.

 

Pode continuar a estar atento a novas oportunidades de aumentar a dimensão da sua poupança. Tente procurar, por exemplo, junto de várias instituições financeiras, informações sobre novos produtos financeiros, adequados ao seu perfil de investidor.

 

Reforce a diversificação. Opte por escolher mais instituições onde possa colocar o seu dinheiro. Reforce a sua carteira de investimento em títulos. Se for possível, aposte também em acções fora de Portugal, escolhendo, mais uma vez, vários sectores.

 

Seja flexível e esteja constantemente disposto a aumentar os seus ganhos. É necessário manter, ao mesmo tempo, um controlo das suas poupanças. Não desperdice o esforço que esteve a fazer e que permitiu concretizar projectos que estavam adiados há muito tempo. Não se esqueça: poupar tem de ser um acto constante dos consumidores. 




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