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Taxa de poupança das famílias portuguesas caiu para 9,3% no segundo trimestre

O rendimento disponível das famílias portuguesas caiu 0,5% entre Abril e Junho deste ano, "interrompendo o aumento continuado que se registava desde o terceiro trimestre de 2009".

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 30 de Setembro de 2011 às 11:27
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"Esta inversão da tendência reflectiu vários factores, nomeadamente, as alterações salariais na Administração Pública, com impacto negativo sobre as remunerações recebidas pelas famílias, que registaram uma queda em cadeia de 0,3%, e a redução de 3,5% das prestações sociais recebidas líquidas de contribuições", explica o Instituto Nacional de Estatística (INE) em comunicado emitido esta manhã.

O mesmo comunicado avança que a capacidade de financiamento das famílias portuguesas caiu para 3,8%, menos 0,3 pontos percentuais do que no primeiro trimestre do ano. Esta queda "reflectiu sobretudo a diminuição da poupança corrente das famílias".

A taxa de poupança desceu para 9,3% no segundo trimestre, abaixo dos 9,8% verificados no trimetre anterior. Já a poupança corrente das famílias registou uma queda em cadeia de 6,1%, em consequência da diminuição do rendimento disponível das famílias.

No conjunto da economia portuguesa, as necessidades de financiamento não sofreram alterações face ao primeiro trimestre do ano, tendo permanecido nos 7,7% do PIB. Se por um lado, as necessidades de financiamento das famílias e das sociedades não financeiras aumentaram, por outro, registou-se uma melhoria dos saldos das sociedades financeiras e das administrações públicas.

A análise realizada às sociedades não financeiras revela que a taxa de investimento voltou a diminuir, o que não impediu um aumento das necessidades de financiamento destas sociedades.

De acordo com os números do INE, a taxa de investimento destas sociedades fixou-se nos 19,7% (menos 0,8 pontos percentuais do que no primeiro trimestre), enquanto as necessidades de financiamento agravaram-se em 0,6 pontos percentuais devido "à diminuição do excedente bruto de exploração e ao agravamento do saldo negativo dos rendimentos de propriedade".

No caso das sociedades financeiras, a tendência foi inversa, com a capacidade de financiamento a aumentar 0,5 pontos percentuais para 3% do PIB.

No sector das administrações públicas, as necessidades de financiamento diminuíram para 8,8% do PIB, devido, essencialmente, "a uma poupança corrente menos negativa que a do trimestre anterior".

O INE revela ainda que, no segundo trimestre, o Rendimento Nacional Bruto (RNB) registou uma queda em cadeia de 1,1%, "reflectindo o aumento do défice dos rendimentos primários com o exterior".

Tal como o RNB, o rendimento disponível bruto do país também caiu 1,1%. "Como a despesa de consumo final da economia (que engloba as despesas de consumo final das famílias e das Administrações Públicas) registou uma queda de 0,6%, verificou-se em consequência uma diminuição da poupança bruta corrente da economia", sublinha o comunicado do INE.

"A Formação Bruta de Capital (FBC) para o total da economia registou uma diminuição de 3% relativamente ao ano terminado no primeiro trimestre de 2011, o que compensou inteiramente a diminuição da poupança bruta, tendo-se mantido em consequência a necessidade de financiamento externo da economia em 7,7% do PIB", indicam as estimativas do INE.


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