Portugal precisa de ter mais empresas e maiores

Para Ricardo Reis, a recuperação da economia portuguesa nos últimos cinco anos deveu-se muito à coragem dos empresários e trabalhadores privados. Os próximos desafios das empresas são o crescimento e a produtividade, segundo Luís Marques Mendes.
Inês Gomes Lourenço
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Filipe S. Fernandes 24 de maio de 2018 às 11:12

"A recuperação da economia portuguesa nos últimos cinco anos deveu-se quase exclusivamente à coragem dos empresários e trabalhadores no sector privado português", refere Ricardo Reis, professor na London School of Economics. "Com um Estado falido e a tentar equilibrar as suas contas, um sistema bancário a passar por uma enorme e penosa reestruturação, e um mercado interno estagnado ou em contracção, os empresários conseguiram virar-se para o mercado externo e conseguiram tirar a economia da crise", conclui.
Se este desafio foi vencido, Luís Marques Mendes, advogado e consultor na Abreu Advogados, coloca novos objectivos, os do crescimento e da produtividade. Como refere, "estamos a crescer cerca de 2% ao ano. Precisamos de crescer muito mais. Para isso precisamos, desde logo, de aumentar a produtividade. Ora, este é um desafio que também se coloca às empresas e aos empresários. Empresas bem geridas, bem organizadas e bem dirigidas favorecem o aumento da produtividade. Daí a importância de ter bons empresários e bons gestores. É um bom passo para ter boas empresas."
Na análise de António Correia, sócio da PwC, a importância de ter bons empresários e boas empresas, numa economia como a portuguesa, está na diferença entre ter um país próspero ou não. Adianta que "as empresas e os empresários são criadores de riqueza nos países, de bem-estar nas populações, de ocupação e desenvolvimento do território". A pergunta de um milhão de dólares é o que são "bons empresários, para que tudo o que referi seja uma realidade"?

Estamos a crescer cerca de 2% ao ano. Precisamos de crescer muito mais.  Luís Marques Mendes
Advogado e consultor na Abreu Advogados

José Manuel Fernandes, presidente da Frezite, não tem resposta simples, mas diz que Portugal precisa de ter mais empresas e maiores. Pensa, assim, que "a economia portuguesa, pela sua componente empresarial, ainda necessita de muito músculo e isso passa pela valorização dos seus principais 'clusters', como candeias que vão à frente no espaço da competitividade e da sustentabilidade".
Garante que as boas empresas não são nem serão nunca "obra do acaso, da sorte, antes de gente visionária, gente ambiciosa e ousada que assume riscos perante desafios que sabe descodificar e avançar para os projectos e concretizá-los". Acrescentando que "as boas empresas fazem-se por bons empresários, bons gestores, com oportunos projectos, com uma boa estratégica e com recursos bem diagnosticados e calculados".
O fundador da Frezite sublinha, ainda, que as políticas públicas deviam estar alinhadas, com o objectivo de criar "um ambiente gerador deste crescimento empresarial". No seu entender, "o nosso recente crescimento tem também na sua origem uma forte procura internacional e não tanto como se chega a afirmar, uma componente, quase exclusiva, das políticas públicas nacionais".
Melhores empresas têm gestão
Para António Correia é possível encontrar características comuns nos bons empresários e nas boas empresas. "São os que pensam além do que é apenas o valor económico ou financeiro das empresas que gerem. Que pensam na vastíssima rede de partes interessadas que andam à volta das suas empresas. Nos colaboradores, nos clientes, nos fornecedores, nas localidades, nas comunidades em que estão inseridos", diz o sócio da PwC.
Encontra ainda características como a disciplina nos custos e arrojo nos mercados e nas áreas mais relacionais, "estas mais escassas nas capacidades pessoais, porque menos treináveis". Adianta, ainda, que "são os que fazem a vida de quem trabalha com eles melhor do que era antes, se não o fizerem, nunca deveriam estar na gestão nem ser empresários".
Mas, como, analisa Ricardo Reis, "alguns dos estudos mais sistemáticos no campo não apontam para características pessoais que estejam sistematicamente ligadas ao sucesso empresarial". Indicam sim que "para o sucesso dos projectos é preciso (I) uma capacidade de gestão no sentido de definir objectivos, medir performance, e recompensar todos os colaboradores em função dessa performance, (ii) a capacidade de a determinada altura dar o salto e ganhar dimensão o que exige profissionalização".
"O bom empresário é o que tem visão estratégica, espírito de abertura e inovação, capacidade de motivação, sentido de liderança, competência para arriscar e empreender", caracteriza Luís Marques Mendes. "As boas empresas reflectem, por norma, estas características. São, em regra, aquelas empresas que estão bem geridas e organizadas, que se abrem ao exterior, que apostam na inovação e na investigação, que privilegiam um bom ambiente de trabalho, que fazem do profissionalismo uma escola de vida", assinala o comentador televisivo da SIC.
Para José Manuel Fernandes, "as boas empresas não são feitas por aventureiros (esses têm vida curta), nem por golpe palaciano em compadrio. São fruto de muito trabalho, dedicação com a inteligência emocional permanentemente à prova, e a sua sustentabilidade faz-se pelo exemplo na gestão e com o espírito de servir os outros bem alto".

O júri do Prémio Excellens Oeconomia

O Prémio Excellens Oeconomia vai na 6.ª edição e é organizado pelo Negócios e a PwC. Esta iniciativa distingue as melhores práticas e as empresas e personalidades do mundo empresarial e económico, que contribuem para o progresso do país. O Prémio Excellens Oeconomia atribui o prémio Personalidade do Ano e prémio Empresa do Ano.

Alberto Castro

Economista e professor na UCP (Porto)

 

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Ana Pinho

Presidente da Fundação de Serralves

 

André Veríssimo

Director do Jornal de Negócios

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António (Sarmento) Gomes Mota

Professor catedrático no ISCTE Business School

 

António Brochado Correia

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Sócio da PwC

 

António Lobo Xavier

Advogado na Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados

 

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António Saraiva (CIP)

Presidente da CIP

 

António Vitorino

Candidato a director-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM)

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Emílio Rui Vilar

Administrador não executivo da Fundação Gulbenkian

 

Fátima Barros

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Professora associada da Católica Lisbon Business & Economics

 

José Manuel Fernandes

Presidente do CA da Frezite

 

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Luís Amado

Consultor e presidente do Conselho Superior da EDP

 

Luís Marques Mendes

Advogado e consultor na Abreu Advogados

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Madalena Cascais Tomé

CEO da SIBS

 

Miguel Setas

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Presidente da EDP Energias do Brasil

 

Pedro Rebelo de Sousa

Sócio da SRS Advogados

 

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Ricardo Reis

Economista e professor na London School of Economics

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