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Dos super-gestores ao trabalho como desporto radical

Ousam, acreditam, criam, inovam, têm audácia, paixão e apostam na mudança. Para distinguir personalidades, o juri do Prémio Excellens Oeconomia vai partir em busca de super-heróis da gestão.

Filipe S. Fernandes 06 de Junho de 2013 às 11:45
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Miguel Pina e Cunha | "Todos nós precisamos de heróis", afirma o professor da Nova School of Business & Economics.

 

O prémio Excellens Oeconomia-Personalidade 2012 procura figuras que sejam dignas de emulação e admiração. Na literatura de apresentação do prémio, enunciam-se os seus traços: "queremos distinguir personalidades que ousam, acreditam, criam, inovam, têm audácia, paixão, e que apostam na mudança". Mas não se estará à procura de super-gestores e de heróis?


Para Miguel Pina e Cunha, professor na Nova School of Business & Economics, os super-gestores são um mito mas é um facto que "todos nós precisamos de heróis". Confessa que "o CEO herói só existe porque tem uma equipa que lhe permite ser um herói; no limite há uma falácia da liderança quando põe o ênfase no líder, quando a liderança é um trabalho de equipa". Na sua opinião, "o que os bons líderes fazem é menos assumir o papel de herói e criar condições para que todos sejam pequenos heróis no seu trabalho. E isso é um papel que que só os líderes podem fazer".


A metodologia do prémio é mais pragmática e, às percepções com que se avaliam personalidades, adiciona também medidas mais prosaicas como os resultados práticos de uma carreira e de uma liderança. É também uma forma de evitar as celebridades da gestão.


Hoje, muitos gestores ganham e fazem ganhar muito dinheiro, tornam-se vedetas dos media, são requestados pelos políticos, pela cultura, são admirados, adulados e vituperados. Tornam.se autênticas celebridades. Mas como mostram alguns trabalhos, como o de Jim Collins em De Bom a Excelente (Casa das Letras), o êxito das empresas está quase sempre ligado a gestores discretos e focados.

 

 

"Uma função crítica da liderança neste momento é garantir segurança para as pessoas se focarem na resolução dos problemas e não na gestão do seu próprio 'stress'".
 
Miguel Pina e Cunha,  Professor na Nova School of Business & Economics

 


As lideranças das empresas na grande recessão
O papel da liderança ganha especial intensidade em tempos de crise aguda como a que vivemos. Quando se vive numa funda recessão, em que predomina a agitação e o nervosismo, o líder tem de ser mais factor de calma e de resiliência, confiança e tranquilidade.


Como sublinha Miguel Pina e Cunha, "há um ditado inglês, que diz que 'as boas marés nunca fizeram os bons marinheiros'. Ser um líder competente numa altura em que tudo é favorável não é tão exigente como liderar quando tudo está correr mal". Nos tempos em que vivemos, também se espera que as lideranças protejam as suas equipas. Devem ser exigentes mas "uma função crítica da liderança neste momento é garantir segurança para as pessoas se focarem na resolução dos problemas e não na gestão do seu próprio stress" acentua Miguel Pina e Cunha.


Por isso, o prémio prevê que possa a ser atribuído a uma personalidade da área de Economia que tenha revelado carisma, liderança, impacto na sociedade e em Portugal.


Trabalhar sete dias por semana
O modelo exemplar do gestor e empresário mudou muito. O presidente da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, dizia recentemente que o que hoje se exige a um gestor não é comparável ao que se pedia há 25 anos. Assinalava o patrão da Jerónimo Martins que hoje "um quadro sénior tem de trabalhar sete dias por semana, ter sempre o telemóvel ligado e se houver um problema tem de se meter num avião.

 

 

Actualmente "um quadro sénior tem de trabalhar sete dias por semana, ter sempre o telemóvel ligado e se houver um problema tem de se meter
num avião".

 
Alexandre Soares dos Santos,  Presidente da Jerónimo Martins

 


A globalização implica ir a todos os lados do globo, a sítios onde os turistas não põem os pés, para comprar os melhores produtos". O artigo "Extreme Jobs: The Dangerous Allure of the 70-Hour Workweek", publicado pela Harvard Business Review em 2007, referia que muitos gestores estavam a trabalhar mais de 70 horas por semana. Para Miguel Pina e Cunha isto é equiparar o trabalho a um desporto radical. Explica que isto acontece porque "os gestores de topo não podem deixar de dar o exemplo do que querem que aconteça".


Para ser a personalidade de 2012 do Excellens Oeconomia não precisa de trabalhar tantas horas mas necessita de ter tido um impacto muito elevado na empresa, nas equipas e no país.

 

 

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