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Rui Paiva: "Não há uma fórmula para o sucesso da inovação"

Rui Paiva diz que o sucesso da de uma empresas é o resultado da integração de duas áreas, a inovação e a criação.

Filipe S. Fernandes 27 de Abril de 2016 às 11:18
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Rui Paiva é o presidente executivo da WeDo e é administrador de várias empresas do grupo Sonae. Fundou a WeDo Technologies em 2001 que hoje é líder mundial em Enterprise Business Assurance, fornecendo software e consultoria especializada para proteger receitas e reduzir custos. Trabalha com mais de 180 operadoras de telecomunicações de mais de 90 países e entrou em sectores como a distribuição, energia, seguradoras e saúde.

O que é mais importante para si, a criação ou a inovação?
Sou da opinião de que ambas são fundamentais para a criação de valor e acima de tudo para o desenvolvimento de modelos de negócio auto-sustentáveis. Não importa o nível de inovação de uma empresa ou o número de patentes que consegue registar se não as conseguir traduzir em valor através da sua comercialização. Seja através dos direitos de propriedade intelectual, ou pela criação de produtos que acrescentem valor ao comum dos utilizadores. Nesse sentido, vejo o sucesso de uma empresa como resultado da integração das duas áreas: a inovação que contribui para o desenvolvimento de novos produtos e para a optimização de processos, e a criação de produtos comercialmente viáveis. Em ambas as etapas é necessário que se encontre financiamento, que os problemas técnicos sejam trabalhados e que os modelos de negócio sejam pensados para terem sucesso no mercado. Isolar as duas áreas pode ser um erro no alcance do sucesso no mercado.

Como é que se faz da inovação, uma prática de gestão?
O primeiro passo é perceber o valor que a inovação pode gerar, quer seja no desenvolvimento de produtos, como na forma como se gere a própria empresa.
Não existe uma fórmula comprovada para o sucesso, especialmente quando se trata de inovação e não é segredo que a inovação é difícil, até mesmo para as empresas melhor estabelecidas.
No geral, as empresas mais bem-sucedidas no campo da inovação serão aquelas que melhor implementam práticas e processos de funcionamento sustentável, no qual estão incluídos mecanismos que incentivam, estruturam e organizam a inovação de uma forma transversal a toda a empresa.
Acredito que a melhor forma das empresas assimilarem e aplicarem estes fundamentos na sua génese passa sobretudo por encontrarem a sua própria definição do valor da inovação, tendo em conta o seu contexto, as suas capacidades, cultura organizacional e "apetite" para o risco.

Como se estimula a inovação empresarial?
Se virmos a inovação como parte de um ecossistema que procura a melhoria contínua e que exige a participação de todos os intervenientes que estão directa ou indirectamente relacionados com a empresa, alinhados num objectivo comum que é a criação de valor, direi que a melhor maneira de estimular a inovação será através da redistribuição do valor criado, como uma recompensa. Um bom modelo de negócio é aquele que efectivamente cria, captura e entrega valor.
A ideia de uma empresa seguidora de outras surge como um elemento dissociado do conceito inovação, pese embora poder ser utilizado como um elemento estruturante: além de inovar e transpor para o seu modelo, uma prática que já foi vencedora num outro ecossistema empresarial, a capacidade de capturar esse valor e adaptá-lo ao seu negócio surge, a meu ver, como uma inovação por si. Por outro lado, a implementação de processos de estímulo à inovação baseada no que já está testado em outras empresas do mercado, e a reutilização de processos padronizados e certificados que visam o desenvolvimento de um plano de melhoria contínua associado à inovação, pode ajudar a funcionar como alavanca para a criação de valor. 

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