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A união e a verticalização para dominar o negócio

Produtores de suínos juntaram-se para ganhar escala e verticalizaram para conseguir dominar o negócio do porco do prado ao prato.

Filipe S. Fernandes 18 de Outubro de 2022 às 14:30
Bloomberg
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Fundada em 1994, a Agrupalto diz-se "a maior organização de produtores de suínos em Portugal" e a sua criação partiu da ideia de que como as empresas em Portugal têm pouca escala, e que "a forma mais rápida e económica de dar escala às empresas portuguesas seria pela união. A Agrupalto representa essa união, na qual os produtores juntaram forças, concentraram a oferta ganharam escala e no final do dia permitiu voos mais altos", refere Nuno Correia.

A segunda parte do projeto foi a verticalização, que é "a chave para o sucesso do negócio", porque "só dominando todas as vertentes do negócio e otimizando a fileira poderemos ser competitivos e estar um passo à frente". Criaram a Socampestre, que é uma central de compras, a Master Pig, que forma mão de obra qualificada e especializada na área, a Farmcontrol, que monitoriza e controla explorações online e em tempo real, revelando-se uma ferramenta essencial para a poupança de recursos nas unidades de produção, uma amostra da zootecnia de precisão, e a AGPmeat que exporta cerca de 30% da produção das empresas agrupadas para 24 países.

A Maporal é a parte final dessa fileira e veio revitalizar uma atividade cuja última unidade nova de abate e transformação construída em Portugal foi feita há mais de trinta anos, como lembra Nuno Correia. Acrescenta que "a tecnologia evoluiu muito associada a uma nova forma de ver a economia circular, por isso tivemos de ter a coragem, num ambiente hostil, de fazer este investimento, mas só assim poderemos garantir a melhor segurança alimentar, garantir a rastreabilidade do prado ao prato e ser competitivos".

Reguengos Residence

"Quando decidimos investir em Reguengos, decidimos fazê-lo porque estamos mais perto de Espanha, onde existem mais consumidores, por ser uma zona em que há muitos apoios para a deslocalização das empresas e porque encontrámos um município que nos apoiou e nos deu força para avançarmos", analisou Nuno Correia.

Mas havia um constrangimento que a filosofia de gestão desta empresa de produção de porcos, aprendida com a sua verticalização, transformou numa solução e numa oportunidade. Como explicou Nuno Correia, a Maporal quer ter cerca de 350 colaboradores e "em Reguengos de Monsaraz existe um problema habitacional sério".

Há vinte anos que um empreendimento imobiliário de 54 apartamentos estava abandonado, com quatro apartamentos disponíveis, um já acabado e os outros por acabar. "Decidimos então avançar para a aquisição já que era uma oportunidade de instalar bem os nossos quadros e de aumentar a oferta de habitação num concelho onde tanta falta faz. Assim, nasceu a Reguengos Residence. Não temos dúvidas de que a Maporal tudo irá fazer para ser uma empresa de referência de Reguengos e que vai contribuir para o desenvolvimento do concelho", refere Nuno Correia.
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