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A Maporal tem o foco na Ásia

Situado em Reguengos de Monsaraz, este matadouro tem uma capacidade de abate e processamento de quinze mil suínos por semana, Venceu o Prémio Revelação, na categoria Exportação, na edição de 2021.

Filipe S. Fernandes 18 de Outubro de 2022 às 14:00
Nuno Correia, administrador da Maporal.
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"O investimento atual é de cerca de vinte e cinco milhões de euros, faltam mais oito milhões numa infraestrutura de apoio à armazenagem de produtos congelados", assim descreve, em termos financeiros, a Maporal, Nuno Correia, administrador, da empresa que venceu o Prémio Revelação, na categoria Exportação, na 11.ª edição dos Prémios Exportação & Internacionalização, referente a 2021, uma iniciativa do Jornal de Negócios e do Novo Banco, em parceria com a Iberinform Portugal.

Nuno Correia é um dos mentores da recuperação do matadouro, criado por iniciativa de Américo Amorim em 2005, e que está a ser modernizado desde 2018.

A Maporal tem atualmente uma capacidade de abate e processamento de quinze mil suínos por semana, mas que pode atingir os vinte mil porcos por semana. Segundo Nuno Correia, com estes investimentos, a Maporal foi considerada uma das melhores unidades da Europa em abate e processamento de carne de suíno. Mas o gestor sublinha que, com estes investimentos, o objetivo foi garantir a máxima qualidade e segurança alimentar por forma a estar nos mercados mais exigentes.

A China é o maior produtor e maior importador do mundo de carne de porco, por muito pouco que comprem é sempre muito e assim vai continuar. Nuno Correia
Administrador da Maporal
"Queremos rivalizar com os grandes ‘players’ e este investimento irá garantir um produto com segurança máxima, uniforme e competitivo", afirmou Nuno Correia. Explicou ainda que só com estes investimentos se pode produzir carne congelada, porque "o negócio do congelado obriga a que se garanta um produto sempre igual, e só com uma unidade como esta se consegue chegar a esse nível".

Foco na Ásia

Nuno Correia afirma que continua com "o foco na Ásia, grande consumidor de carne de porco, e estamos a fornecer a Europa pela forte redução na produção de carne de porco". Adianta que a China foi de facto a alavanca da Maporal: "Trata-se do maior produtor e maior importador do mundo de carne de porco, por muito pouco que comprem é sempre muito e assim vai continuar."

Contudo, a estratégia da Maporal é a de cada mercado não poder representar mais de 20% do volume de negócios, para evitar dependências excessivas. Por isso, estão a explorar e a procurar oportunidades em mercados como o Japão e a Coreia do Sul, que são muito exigentes em segurança alimentar, "e que se enquadram perfeitamente na forma como a Maporal foi pensada", disse Nuno Correia.

A grande vantagem competitiva da Maporal é a de ser uma empresa em que a matéria-prima é fornecida por produtores associados. "Produzimos um milhão e meio de suínos por ano, o que nos permite entrar numa ótica de verticalização do negócio, procurando a competitividade em toda a fileira", afirma Nuno Correia.

Caminho das pedras

A sua principal queixa é a lentidão dos licenciamentos da produção, que não acompanham a velocidade dos negócios, o que limita muito o crescimento. "Importamos sessenta por cento das nossas necessidades, não faz sentido, aumentamos a nossa pegada carbónica e deixamos os empregos lá fora", considera Nuno Correia, que exemplifica com Espanha, que hoje é número um na Europa em produção de carne de porco.

A oferta em termos gerais irá diminuir em muitos setores, com uma oferta em baixa e fatores de produção em alta não vejo como é que em 2023 a inflação chegará a valores aceitáveis. Nuno Correia
Administrador da Maporal
Em relação ao futuro, Nuno Correia defende que há um ambiente hostil em relação aos investimentos e aos empresários: "Tem sido um caminho das pedras, a vida dos empresários deste país tem sido difícil." Aponta que com a covid-19 tudo mudou e com a guerra na Ucrânia os desafios tornaram-se ainda maiores. Por isso, "só os mais fortes vão sobreviver, poucos vão conseguir pagar as contas energéticas, e depois deste reajustamento a oferta em termos gerais irá diminuir em muitos setores, com uma oferta em baixa e fatores de produção em alta não vejo como é que em 2023 a inflação chegará a valores aceitáveis", analisa Nuno Correia.

Assinala ainda que muitos dos empresários da nova geração em que se inclui nunca foram "preparados para estes cenários, até aqui fomos habituados a trabalhar com os planos A e B, agora temos de acrescentar o C e o D e ser resilientes", concluiu Nuno Correia.
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