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António Ramalho: "Portugal é um país treinado em crises e em riscos"

António Ramalho considera que a banca tem estado a desempenhar a sua função nesta crise sanitária.

Filipe S. Fernandes 04 de Dezembro de 2020 às 12:46
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"Portugal foi o país que fixou até mais tarde as moratórias, ficamos um pouco sozinhos e o que até gerou alguma desconfiança da comunidade bancária internacional, e depois quase todos os países da Europa nos seguiram as pisadas e a agora EBA veio caucionar esta intervenção", referiu António Ramalho, presidente-executivo do Novo Banco, a propósito da luz verde" da EBA, ao prolongamento da adesão às moratórias até 31 de março do 2021. 

 

"Se nos tivessem perguntado primeiro, teríamos dito que a nossa experiência de crise diz que efeitos assimétricos com estas características não se poderiam resolver de uma forma tão rápida quanto a EBA desejou", considerou António Ramalho durante a entrega dos Prémios Exportação e Internacionalização, uma iniciativa do Jornal de Negócios e do Novo Banco, com o apoio da Iberforum e que pode assistir aqui.

 

Salientou ainda que o Novo Banco é o banco em Portugal com mais moratórias no balanço, com cerca de 25%, "mas também somos o banco que mais tem convencido os clientes a manter o fluxo financeiro de pagamento de juros, cerca de 75% dos nossos clientes mantém o pagamento regular de juros, o que é processo adequado de gerirem o processo de crise em que se encontram". Até porque "Portugal é um país treinado em crises e em riscos".

 

António Ramalho disse ainda que a banca tem estado a desempenhar a sua função nesta crise sanitária. "O esforço que os contribuintes fizeram ao serviço da banca resultou, uma vez que os bancos estavam preparados para ser um dos principais fatores operacionais e reais de suporte à economia".

 

Na sua opinião, a banca respondeu à dimensão das das moratórias e das linhas de crédito com garantia do Estado entre 70 e 90%, a maior parte a 90%, "onde pudemos fazer chegar rapidamente às mãos dos nossos clientes e até a gestão operacional dos layoffs. Foi este tripé que acabou por conseguir assegurar alguma serenidade num período particularmente difícil da pandemia".

 

A recessão histórica provocada pela pandemia arrastou consigo as exportações. Os últimos dados sobre a economia mostram que o peso das exportações no PIB recuou no terceiro trimestre para níveis de 2011 mas mostram que as vendas ai exterior cresceram 40% em relação ao trimestre anterior.

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