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Farfetch está focada na rentabilidade operacional

A indústria de luxo cresceu cerca de 90% nos últimos dois anos e a empresa está focada no seu compromisso com a rentabilidade operacional para o consolidado de 2021 depois de ter obtido mais receitas e melhorias no EBITDA ajustado.

Filipe S. Fernandes 06 de Outubro de 2021 às 11:20
Luís Teixeira afirma que uma das lições da pandemia é a de que não se pode prever todos os riscos.
Luís Teixeira afirma que uma das lições da pandemia é a de que não se pode prever todos os riscos. D.R.
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“A indústria do luxo tem vindo a demonstrar resiliência, apesar da pandemia, e mostra um crescimento histórico de 90% nos últimos dois anos”, afirma Luís Teixeira, Chief Operating Officer da Farfetch. Esta empresa foi, em 2020, uma das doze vencedoras do Prémio Exportação e Internacionalização, uma iniciativa do Jornal de Negócios e do Novo Banco em parceria com a Iberinform Portugal, tendo recebido o prémio para Melhor Exportadora Multinacional.

Luís Teixeira acrescenta que 2021 não está fechado e que ainda é cedo para um balanço, “mas os resultados do segundo trimestre foram positivos. Ao nível de resultados operacionais, nos últimos dois anos, duplicámos o nosso GMV (Gross merchandise value) total (em relação ao segundo trimestre de 2019), só no último trimestre cresceu 40% (taxa homóloga), ultrapassando os mil milhões de dólares. Também as receitas cresceram ao longo dos últimos trimestres e melhorámos o nosso EBITDA ajustado”, disse Luís Teixeira.

Em termos de números, o valor das mercadorias à venda na plataforma (medido pelo GMV) ultrapassou os mil milhões de dólares entre abril e junho. É o dobro do registado nos últimos 24 meses pois no segundo trimestre de 2019, os bens para venda estavam avaliados em 488,5 milhões de dólares.

No segundo trimestre do ano, o EBITDA ajustado cifrou-se em 20,6 milhões de dólares negativos, uma redução face aos 25,2 milhões de um ano antes. A empresa alcançou um lucro de 87,9 milhões de dólares, que compara com perdas de 435,9 milhões de dólares no homólogo, e faturou 523 milhões de dólares, mais 43% do que em igual período no ano passado. Quanto ao número de trabalhadores na Farfetch, globalmente, são mais de cinco mil colaboradores e, em Portugal, cerca de três mil.

Foco na rentabilidade

“Neste momento, a Farfetch está focada no seu compromisso com a rentabilidade operacional para o consolidado de 2021. Apresentámos há duas semanas os detalhes do parque tecnológico que vamos construir em Matosinhos até 2025, o Fuse Valley, um investimento num espaço que servirá os nossos colaboradores, mas também a comunidade”, afirma Luís Teixeira. Este projeto Fuse Valley é constituído por 24 edifícios e está a ser construído em Matosinhos até 2025, feito em parceria com o Castro Group e os arquitetos da Bjarke Ingels Group.

Quanto aos riscos, Luís Teixeira considera que “uma das lições da pandemia é que não podemos prever todos os riscos, e que o que podemos fazer é focar-nos na nossa missão e construir equipas ágeis e focadas na nossa missão, com talento e capazes de ultrapassar todos os desafios”.

Luís Teixeira recorda que para a Farfetch a pandemia começou em janeiro de 2020, quando se começaram a sentir os primeiros efeitos do vírus na China, onde têm parte relevante do negócio. Isto fez com que estivessem em alerta desde cedo, gerindo as equipas com cautela e garantindo a segurança de todos.

Experiência pandémica

“A complexidade operacional foi o nosso maior desafio, porque operamos a um nível global, com parceiros em 50 países que vendem para mais de 190 países. Contudo, fomos capazes de nos adaptar rapidamente, sem consequências para a qualidade do serviço”, admitiu Luís Teixeira.

Revela que um dos primeiros impactos sentidos no negócio não foi diretamente dentro da empresa, “mas no nosso espetro de negócio, estava relacionada com a pandemia e com a realidade que assistimos em todo o mundo de ver lojas físicas a fechar portas”.

Nessa altura difícil, a Farfetch foi “o parceiro de confiança no apoio a estas boutiques, para que o seu negócio se mantivesse robusto no online. Lançámos uma iniciativa, a Support Boutiques, que tinha como objetivo encorajar a comunidade Farfetch a dar o apoio necessário a estas boutiques, sobretudo através de campanhas de marketing para aumentar o engagement do consumidor ou através da redução de alguns serviços próprios da plataforma”, concluiu Luís Teixeira.

 

A complexidade operacional foi o nosso maior desafio. luís Teixeira
Chief Operating Officer da Farfetch

 

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