Entrega de Prémios: Os exportadores nacionais puseram-se a mexer com a crise

Os prémios Exportação e Internacionalização reuniram no passado dia 8 de Novembro, em Lisboa, algumas das empresas mais bem-sucedidas fora de portas. As vendas para o exterior não têm parado de subir… e a crise pode ajudar a explicar o fenómeno.
Inês Lourenço
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Bruno Simões 21 de dezembro de 2017 às 17:02

Os melhores exemplos empresariais portugueses nas vendas fora de portas foram distinguidos no passado dia 8 de Novembro na sétima edição dos prémios Exportação e Internacionalização, uma iniciativa conjunta da Cofina e do Novo Banco. A cerimónia, que teve lugar no hotel Ritz, reuniu na mesma sala "boa parte dos empresários que, de forma discreta aumentaram a capacidade exportadora da economia portuguesa", reconheceu António Ramalho, o líder do Novo Banco. Uma performance que se consolidou em tempos de crise.
"Poucos acreditariam, há sete anos atrás, que o PIB iria hoje depender 40% das exportações, quando esse valor se situava em 27%" antes do início da crise, sublinhou o banqueiro. Nestes últimos anos, as exportações passaram de "47 mil milhões para mais de 75 mil milhões, o que permitiu ter um superavit dentro desta balança que muitos de nós não acreditariam que fosse possível ser favorável".
40,3%
Exportações
Em 2016, as exportações de bens e serviços valeram 40,3% do PIB nacional. Este ano, essa percentagem deverá aumentar.
Esta pujança das empresas portuguesas teve um importante incentivo: a crise. "Nos últimos 10 anos, o que se fez mais pela exportação foi a crise. Foi isso que pôs a malta a mexer", resumiu, durante a mesa redonda que antecedeu a entrega de prémios, o CEO da Mecwide Carlos Palhais. E não é por a crise já estar no retrovisor que se pode tirar o pé do acelerador. "O que é preciso é continuar a estimular e ajudar as empresas a encontrar o seu mercado lá fora", avisa.

As nossas empresas cada vez mais combatem as dificuldades e incertezas do mercado nacional fora de portas. Já deram provas de que podem abrir novos caminhos e entrar em novos mercados. Paulo Fernandes
Presidente da Cofina

Isto porque o "problema da dimensão" das empresas portuguesas é "grande, nós sentimos, é preciso que se juntem mais". Vítor Fernandes, administrador do Novo Banco, concorda. "As nossas empresas não são muito grandes, mas temos um bom conjunto de boas PME". O problema, prossegue, é que "há muitas PME muito pequeninas e uma faixa de microempresas que são ainda mais pequeninas que urge que ganhem músculo".
Por isso, é também importante que existam incentivos fiscais direccionados para as exportadoras, defende Pedro Pacheco, do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento. "Quando se toma uma decisão de investimento há sempre uma dor de parto, existe risco ao entrar num país. Em muitos casos o crescimento das exportadoras podia ser maior se não fosse tão exigente este momento da decisão de investimento e se houvesse condições mais favoráveis", observa.
Há uma margem de progressão enorme. (...) Ainda há muitas empresas que são campeões escondidos e ainda não passaram o cabo Bojador para poderem exportar. Gonçalo Lobo Xavier
Vice-presidente do Comité Económico e Social Europeu

Para António Ramalho, se o perfil exportador cresceu como cresceu durante a crise, o futuro só pode ser risonho. Especialmente numa altura em que se começam a levantar as restrições das agências de rating ao financiamento da República, o que contagia todas as outras áreas, inclusive a banca. "Imaginem o que poderemos fazer nos próximos três anos com o desenvolvimento das exportações".
Para captar os talentos que fugiram de cá, [uma empresa nacional] não consegue pagar o mesmo salário que uma empresa em Espanha. Carlos Palhares
CEO da Mecwide

A economia portuguesa ainda tem um "grande espaço de crescimento do ponto de vista da sua abertura" ao exterior. Paulo Fernandes, dono da Cofina, concorda. "As nossas empresas cada vez mais combatem as dificuldades e incertezas do mercado nacional fora de portas" e "já deram provas de que podem abrir novos caminhos e entrar em novos mercados".
Existe uma alteração grande na economia mundial que tem algumas semelhanças com a revolução industrial. Para as empresas portuguesas é oportunidade excelente, porque  estamos no terreno (...) com grandes concorrentes. Pedro Pacheco
CEO da BERD

Entrar em novos mercados é, por outro lado, um factor que pode ajudar as próprias empresas. "A produtividade é bem mais significativa, a própria autonomia financeira e o perfil de risco é melhor, e há rendibilidade superior", elenca António Ramalho. Alberto Castro alinha. "As empresas que vivem nesse ambiente competitivo tendem a ser mais bem geridas, mais inovadoras, e isso gera um ciclo virtuoso" que "não pode parar" a pretexto do "bom estado da economia".
"O consumo interno não tem um papel tão determinante quanto algum discurso pode fazer crer", avisa.

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