A qualidade de gestão é estratégica

Muitas empresas vão ter de investir porque têm a capacidade produtiva esgotada ou novos mercados ou para aumentar o valor acrescentado. Mas a solução nem sempre é mais investimento mas sim melhor gestão.
A qualidade de gestão é estratégica
Paulo Fernandes, presidente da Cofina, e António Ramalho, CEO do Novo Banco.
Nuno Fonseca
Filipe S. Fernandes 18 de dezembro de 2018 às 18:30

O desígnio das empresas é a exportação e a internacionalização, e é "porque tem de ser", sublinhou Alberto Castro, professor na Católica Porto Business School. "Por equívoco, durante alguns anos, quem dirige as empresas e quem determina as políticas públicas julgaram que era possível ter um futuro focados apenas no mercado interno". Mas num país pequeno, com pouco poder de compra, assim que houve um abalo, como a crise de 2010-2014, "a maré baixou, e foi assim que se viu quem estava a nadar sem calções", ironizou.

Perante esta situação de dificuldade, muitas empresas "ousaram olhar para fora, primeiro por necessidade, mas como mostram os números, de uma forma persistente. Saíram para sobreviver, mas deram-se com o novo contexto e muitas delas não saberão viver de outro modo". Acrescentou que "hoje é um processo virtuoso".

Falta de mão-de-obra

O peso das exportações no PIB nacional está na ordem dos 46%, mas há países europeus semelhantes em que atinge 60 e 70%. Esta evolução foi conseguida graças à capacidade produtiva instalada, mas que tem de ser aumentada para se crescer.

"Há uma falta significativa de mão-de-obra em Portugal, por isso, se queremos passar de 46% para 60% das exportações no PIB só há uma maneira, que é aumentar o valor acrescentado e as exportações em valor", sentenciou Vítor Fernandes, administrador do Novo Banco.

Há falta de mão-de-obra em Portugal, só há uma maneira de aumentar as exportações que pelo valor acrescentado. vitor fernandes
Administrado do Novo Banco


Para isso é necessário que se faça mais investimento em novas tecnologias, skills técnicos, produtos, marketing e mercados. Alberto Castro deu o exemplo do calçado para referir que não é suficiente o investimento se não houver boa gestão. "As máquinas serviam para fazer um calçado mais ou menos corrente, e para fazer outro de mais qualidade. As vezes a qualidade até aumentava mais pela incorporação do saber fazer do que pela automatização". O salto teve que ser feito por outras como o design e o marketin, por exemplo

Há outras soluções e outros caminhos, considera Alberto Castro. "Temos a tentação da solução de tamanho único, mas este não serve para todos". As empresas que estão nos mercados internacionais, tanto internacionalizadas como exportadoras, "têm uma qualidade de gestão muito acima das outras", sublinha Alberto Castro. "Isto é decisivo porque não se faz um país diferente se não tivermos muito mais qualidade de gestão".

Os riscos do futuro

Alberto Castro não deixa de referir as ameaças externas às exportações. No fim do século XIX, o peso do comércio mundial no PIB mundial era muito maior do que durante a maior parte do século XX, lembrou. Só nos anos 1980 é que o comércio internacional voltou a ganhar peso. Neste arco de tempo houve o nacionalismo, o fechamento de fronteiras, as guerras mundiais.

"Hoje olhando para envolvente há acontecimentos e tendências que não deixam de nos preocupar como a guerra comercial China-Estados Unidos, propostas de acordos bilaterais, o recrudescimento de ideias nacionalistas, o Brexit", refere Alberto Castro. "Não quer dizer que venha o Diabo mas teremos de estar preparados e continuar a fazer pela vida".




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