Almina: Uma aposta dupla no cobre e zinco

Depois de um investimento de 70 milhões de euros, as minas de Aljustrel passaram a produzir concentrado de chumbo. Passou a ser uma alternativa à produção de concentrado de cobre.
Almina: Uma aposta dupla no cobre e zinco
Humberto da Costa Leite, presidente da Almina recebeu o prémio que destaca o seu negócio de minas.
Nuno Fonseca
Filipe S. Fernandes 18 de dezembro de 2018 às 18:45

Almina - Prémio Exportação - Melhor Grande Empresa Exportadora Bens Transaccionáveis

Em Março 2018 a Almina deu início à extracção e processamento do minério de zinco, que em ano cruzeiro poderá corresponder a cerca 220 mil toneladas de concentrado de zinco, contendo cerca de 100 mil toneladas de zinco metal e a cerca de 45 mil toneladas de concentrado de chumbo, e ainda cerca de 25 mil toneladas de chumbo metal.

Como explica Luís Maia, administrador da Almina, o investimento no arranque da produção de concentrados de zinco rondou os 70 milhões de euros. O zinco veio-se juntar à vocação inicial da mina que era a produção de concentrado de cobre. Isto permite um "melhor aproveitamento do ciclo de preço dos metais e, do ponto de vista económico, faz sentido utilizar as infra-estruturas para a exploração alternada dos dois minérios".

Curiosamente, a Lundin Mining Corporation, anterior proprietário da mina, tinha iniciado, em Abril de 2008, a título experimental e sem expressividade, a produção de Zinco, e feito em Setembro de 2008 testes para a produção de cobre.

Desde a reabertura das minas em 2009, a Almina já investiu, até final de 2017, 300 milhões de euros.


O mercado do zinco equivale a metade do mercado do cobre, mas com este investimento a empresa pode aproveitar a alta do preço de zinco, devido ao encerramento de algumas minas em todo o mundo. O volume de negócios consolidado do Grupo Almina, em 2017 foi de 142 milhões de euros e o EBITDA foi de 70 milhões de euros, e as previsões apontam para uma performance económico-financeira com valores semelhantes em 2018.

Luís Maia explica que, como fazem "uma exploração alternada, falamos sempre de 100% de cobre ou 100% de zinco, sendo o minério que exploramos/processamos actualmente". Em termos de mercados, o cobre vai sobretudo para a Ásia, com especial destaque a China. As exportações de zinco dirigem-se para a Europa e, em menor percentagem, para a China.

Aljustrel recuperada

A mina de Aljustrel foi comprada em finais de 2008 pela Almina, um empresa partilhada pela família Costa Leite, da Vicaima, e pelos irmãos Martins, da Martifer. O projecto de investimento visava a produção de concentrados de cobre, tendo-se efectuado o primeiro embarque de concentrado de cobre de 1.800 toneladas em Março de 2011. Nesse ano foram processadas na fábrica 500 mil toneladas de minério de cobre, produzindo 24 mil toneladas de concentrado contendo aproximadamente 5,5 mil toneladas de metal.

Entre 2012-2017 desenvolveram-se os jazigos de Feitais e Moinho em profundidade, e foi feita a aquisição de um terceiro moinho de bolas para a fábrica de concentrado. A produção aumentou para cerca de 3 milhões de toneladas por ano, resultando cerca de 120 mil toneladas de concentrado de cobre, contendo aproximadamente 30 mil toneladas de cobre metal.

Desde a reabertura das minas de Aljustrel em 2009, a empresa mineira já investiu, até ao final de 2017, cerca de 300 milhões de euros, dos quais 150 milhões nos últimos três anos, com o projecto de zinco. Actualmente trabalham cerca de 1100 pessoas, das minas de Aljustrel, cerca de 600 pela Almina e as restantes de empresas contratadas. Para Luís Maia, os desafios para o futuro da Almina passam pela "contínua prospecção de novas reservas de minérios e a implementação de um processo contínuo de melhoria da produtividade".




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