Os "campeões escondidos" colocaram os ovos nos cestos certos

Dimensão, escolhas políticas, financiamento. São apenas três factores a ditar o sucesso de uma empresa que queira saltar fronteiras. Estas conseguiram. Pede-se-lhes agora que abracem mais a inovação.
Pedro Elias Pedro Elias Pedro Elias Pedro Elias
Wilson Ledo 15 de novembro de 2016 às 09:13

Foram precisas mais de duzentas cadeiras para sentar tantos "campeões escondidos". A expressão é de Paulo Fernandes, presidente da Cofina, que assim classifica os vencedores da sexta edição dos Prémios Exportação e Internacionalização.

Empresas jovens ou companhias consagradas e de perfil discreto. Para saltar fronteiras, souberam contrariar a tendência e afirmar-se. O economista Alberto Castro deixa a metáfora: as economias avançadas colocam os seus ovos em muitos cestos.

No passado, "pusemos muitos ovos em poucos cestos. E escolhemos os cestos errados", como Angola ou Brasil. Filipe de Botton, presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa, diz que "o erro foi olhar para os mercados da moda".

"Hoje, os empresários têm uma competência que não é igual há 25 anos. A minha geração é medíocre. Temos dificuldade em sair da nossa zona de conforto", admite, tecendo elogios a uma nova vaga de gestores.

O trabalho de casa fica mais difícil quando a incerteza se instaura no mundo. A eleição de Donald Trump como próximo Presidente dos Estados Unidos da América, a maior economia do mundo, acabou por vir ao debate.

Alberto Castro acredita que "abanões" como este podem até trazer oportunidades. "Não vale a pena ficarmos parados", diz. Sobretudo porque as entidades europeias têm "andado a dormir na forma" nos últimos tempos. Botton descarta um cenário de "ansiedade" e deixa um conselho: nesta fase, o melhor mesmo é internacionalizar mais e exportar menos. Há consenso sobre a importância da banca neste processo.

Durante a cerimónia, o presidente do Novo Banco lembrou que foram já mais de 1.600 os candidatos a estes prémios ao longo dos últimos seis anos. "Não é inócuo este nosso desejo de premiar a internacionalização e a exportação", afirmou António Ramalho.

"A gestão de ser um banco de empresas não é um mar de rosas", lembrou o gestor. E acrescentou: é "essencial" a instituição bancária marcar presença nas horas mais difíceis das empresas, sobretudo quando estas têm necessidade de se "reestruturar e reorganizar".

A gestão de ser um banco de empresas não é um mar de rosas. António Ramalho
Presidente do Novo Banco  

Vítor Fernandes, administrador do Novo Banco, garantiu que o cenário de financiamento "está muito tranquilo" e apontou para a plateia para demonstrar essa crença. "Pergunto-me como é que um país, com tantas boas empresas, não consegue crescer. Temos muitas empresas pequenas. Temos de ter empresas de maior dimensão", concluiu.

O encerramento coube ao ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que aplaudiu as empresas por aumentarem as suas exportações sem ser pelo "baixo custo da mão-de-obra". Pelo contrário, o processo foi "marcado pela diversificação de mercados e de sectores e por um enorme aumento da qualidade e da incorporação tecnológica, bem como uma melhoria da resposta rápida".

Caldeira Cabral garantiu que o Governo vai continuar a "apoiar e acompanhar" quem quer investir. E, depois do Web Summit, deixou o repto para o abraço à inovação: "Esta nova economia tem de ter como base as empresas de sectores ditos tradicionais ou já bem afirmados", disse.



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