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Passos Coelho preocupado por a Caixa ainda não ter feito reembolsos da ajuda pública

O primeiro-ministro, na Redacção Aberta, diz estar preocupado porque a Caixa Geral de Depósitos é o único banco que teve ajuda pública e ainda não fez qualquer reembolso. O recado à administração do banco foi enviado.

Miguel Baltazar
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A Caixa Geral de Depósitos é o único banco que, tendo recebido ajuda pública, ainda não devolveu qualquer dinheiro ao Estado. Passos Coelho reconhece preocupação. Na Redacção Aberta do Negócios, o primeiro-ministro foi confrontado. Causa-lhe preocupação? "Causa, causa sim, porque era suposto que a Caixa Geral de Depósitos tivesse podido já obter resultados que permitissem fazer uma parte desse reembolso."

Passos Coelho volta a referir: "Preocupa-me e espero que a administração da Caixa não deixe de executar as operações que forem necessárias e que permitirão fazer o reembolso desse valor que foi investido na capitalização da Caixa e que o foi apenas na circunstância de o devolver com os juros que foram estabelecidos e que foram estabelecidos para todos os bancos nos quais o Estado entrou."

Passos Coelho até lembrou que a maior parte da ajuda pública no caso da Caixa foi via capital e não, como noutros bancos, por instrumentos híbridos. "Também houve, mas o essencial foi capital" e, "portanto, é muito natural que essa preocupação seja um bocadinho maior".

Deixou, por isso, um recado à administração liderada por José de Matos: "É muito natural que tenha de gerar os resultados que são necessários, dentro do que está programado, para reembolsar o Estado dessa recapitalização que foi feita" e que está a ser seguida pela direcção de Concorrência da Comissão Europeia. 

Nem sequer vou brincar com o fogo. Não vou falar sobre nenhuns cenários de resolução bancária para mais nenhum banco português. O Banco de Portugal tem feito todas as observações que são pertinentes [sobre o Montepio] e acho que é completamente suicida estar a falar de medidas dessa natureza."
Pedro Passo Coelho
Primeiro-ministro

Venda do Novo Banco? "A melhor possível"

Lembrando à redacção do Negócios que não é ministro das Finanças – "não é que eu não as possa responder também, mas acho que cabe mais à ministra das Finanças respondê-las –, Pedro Passos Coelho, hierarquicamente acima de Maria Luís Albuquerque, não se escusou ao assunto de Estado que é a venda do Novo Banco.

"Eu espero que o resultado seja o melhor possível. O melhor possível. Desejo que o resultado seja maximizado por uma razão: a diferença que se apurar entre o valor da capitalização do banco e o resultado da venda será suportado pelo sistema financeiro." Mas o sistema financeiro significa também a Caixa Geral de Depósitos, detida a 100% pelo Estado... Passos Coelho não quer ir por aí. "Quer discutir todos os negócios que a Caixa fez ao longo de todos estes anos para saber o que isso representa em termos de responsabilidade para os contribuintes? Não me parece que seja uma forma correcta de equacionar o problema." Também por isso acrescentou: "Não vou vender a Caixa para impedir que o Estado tenha de encaixar, dentro dos resultados do banco, qualquer impacto resultante da alienação do Novo Banco."

O melhor resultado possível é esperado por Passos Coelho não pela Caixa, mas a pensar na estabilidade do sistema financeiro e na economia portuguesa. Mas não atribui esse desejo à possibilidade de, em caso de perdas com a venda, se falar de uma resolução fracassada. Volta a defender a solução em detrimento da nacionalização do BES. "Podíamos tê-lo feito, podíamos ter nacionalizado o banco, mas com a experiência que levamos nessa matéria, eu julgo que essa perda seria certa e imensa."

Não vou vender a Caixa para impedir que o Estado tenha de encaixar
qualquer impacto resultante da alienação do Novo Banco."
Pedro Passo Coelho
Primeiro-ministro
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