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Barreiro, terminais, portos, energia: as opiniões de Henrique Neto

Henrique Neto, candidato à Presidência da República, diz o que pensa sobre o Terminal do Barreiro, o porto de Sines e as rendas das energias.

Negócios 05 de Novembro de 2015 às 00:01
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Perigo no Barreiro, incompetência em Sines

Henrique Neto é assumidamente contra a construção de um novo terminal de contentores no Barreiro e diz que o porto estratégico para o país é o de Sines "Nós temos essa grande riqueza, estamos no centro do Ocidente. Somos periféricos na Europa mas estamos no centro do Ocidente e nem sequer falamos disso. Por isso eu digo, sem uma visão estratégica expressa, consensualizada na sociedade portuguesa, nós teremos muita dificuldade em vencermos a nossa periferia".


O candidato presidencial considera que um novo terminal portuário no Barreiro "não vai servir para nada e é tão mais perigoso quando todos os partidos apoiam a sua construção" Até porque, sublinha, "os grandes centros urbanos em qualquer parte do mundo, não são hoje para grandes infra-estruturas pesadas da indústria dos séculos XIX e XX. Hoje são centros de serviços, os terrenos são caros, os transportes são caros, os acessos são caros. A Holanda não tem o porto em Amesterdão, tem-no em Roterdão. Nós não temos o porto em Lisboa, temo-lo em Sines, o melhor porto do mundo".

Henrique Neto ilustra o seu ponto de vista com uma pergunta que fez ao primeiro-ministro e ficou sem resposta. "Diga-me, tem um investimento privado
"Se eu fosse Presidente da República as parcerias público-privadas nunca teriam existido.  Custasse
o que custasse."
Henrique Neto
de 140 milhões de euros no Ministério da Economia há três anos sem ser aprovado, apresentado pela PSA, que é a detentora da gestão de Sines.
Explique. Ao mesmo tempo leio que quer gastar 600 ou 800 milhões num porto que ninguém sabe para que é que serve, a começar pela CIP que discutiu isso numa comissão." Sines só não tem mais movimento, diz, "por incompetência dos governos".


O escândalo da energia e as catedrais da EDP

Foi o próprio Henrique Neto que trouxe à conversa na Redacção Aberta do Negócios o tema da energia. E chegou a ele quando falava da austeridade e do conselho que deu a António José Seguro quando este chegou a secretário-geral do PS: "não diabolize a austeridade. A austeridade é a consequência do que andámos a fazer, nós socialistas, anteriormente. Agora faça seu objectivo uma melhor divisão dos sacrifícios. Tem rendas da energia, tem as fundações, as isenções fiscais... Fiz uma listagem para ir buscar dinheiro. (...) Mas por amor de Deus não vá buscar aos reformados nem ao trabalho". E foi neste encadeamento que chegou a uma das áreas onde se podia ir buscar dinheiro: à energia. "O problema da energia é um escândalo. A EDP é uma espécie daqueles senhores da Idade Média em que os pobres morriam de miséria mas eles construíam catedrais. A EDP anda a construir catedrais. Duas já em Lisboa". Henrique Neto até aproveitou estar numa redacção noticiosa para atirar: "Eu sei que a EDP é muito importante para os meios de comunicação... Não estou distraído".

É um tema que Henrique Neto, mesmo antes de ser candidato à Presidência, já discutia. Até foi ameaçado, diz, de um processo por um ex-secretário de Estado da Energia. Não diz quem. "Vocês têm meios de investigação melhores que os meus..." Isto porque Henrique Neto considerou o preço pago às eólicas demasiado elevado. "É evidente que toda a gente veio investir na energia eólica em Portugal e agora até vão revender as empresas". E volta à EDP, admitindo que a eléctrica receba nos Estados Unidos menos pelas eólicas do que em Portugal. "Temos de cortar e a EDP não é o único caso". E por isso assinou o manifesto para se cortar nas rendas, mas a EDP estava à venda, lembra, e por isso depois da privatização voltou à carga, mas também aí, segundo conta, não foi feito. "Pagamos energia cara. E as empresas que estão ali a concorrer com a vizinha Espanha ou com a Irlanda ou com outro país qualquer?".
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