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Marcelo: o PPE é "a família política" que manda na Europa

Marcelo Rebelo de Sousa diz que em Bruxelas existe uma hegemonia do Partido Popular Europeu e considera que a União Europeia tem problemas de liderança e instituições lentas a reagir aos novos desafios.

Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 23 de Dezembro de 2015 às 00:01
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Marcelo Rebelo de Sousa considera que os problemas que existem actualmente no funcionamento da União Europeia resultam da hegemonia do Partido Popular Europeu (PPE), que reúne os democratas-cristãos, os centristas e os reformadores sobre o Partido Socialista Europeu (PSE), onde estão sociais-democratas e socialistas.

Perante este quadro "a construção europeia passou a ser a construção do centro-direita e as regras passaram a ser definidas essencialmente por uma família política". Por seu turno, a família do PSE passou enfrentar três cenários: o de se coligar com a família do PPE, o de desaparecer ou ode se renovar, o que pode passar por se alargar, integrando os partidos de contestação".

"A Europa tem um problema de liderança, instituições lentas a reagir aos novos desafios e uma base de apoio político muito afunilada numa só família. Isso dá um desconforto muito grande a outra da família e um problema de divórcio das opiniões públicas", constata Marcelo.

Para o candidato, a aproximação do Governo PSD/CDS a Angela Merkel "foi o afloramento dessa tendência de afirmação de uma família política" e o novo Executivo de António Costa  "vai ter de encontrar no futuro novas alianças e novas soluções", embora seja "possível trabalhar em consensos coma família do PFE".

"As pessoas esperariam que a Europa, depois deste período de crise, tivesse tempo para parar e reflectir em termos de união económica e monetária, de união bancária, de instituições. Temo que a pressão dos problemas dos refugiados, da segurança europeia e do referendo britânico retirem prioridade a esses dossiês".

Sempre que o Presidente da República se imiscui em questões partidárias erra e é ineficaz. Vários tentaram mexer nos respectivos partidos e saiu tudo ao contrário.

Nós, os privilegiados, não temos a noção"

O maior problema que se vive em Portugal é de natureza social e o desafio é resolvê-lo sem "desregularmos financeiramente isto", diagnostica Marcelo Rebelo de Sousa. "Nós, os privilegiados, não temos a noção do que é viver ao nível da subsistência.

Os mais estão a viver muito mal e os mais novos estão a viver frustrados quanto à entrada no mercado de trabalho. Este problema social não é esticável duradouramente".

O candidato evoca a expressão "calibrar" utilizada pelo ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, para enquadrar o desafio que se coloca. "Como é que é possível calibrar sem que, de repente, se comprometa duradouramente o crescimento económico e se corra o risco de um resvalar financeiro?", questiona.

"Quem foi Governo, PSD e CDS, percebe isso, embora tendendo a olhar mais para o lado do rigor financeiro vai ter de aprender a olhar para o lado social".

Por outro lado, o desafio que se coloca ao actual Governo, atendendo à base de apoio que têm e onde existem formações "que têm obviamente uma prioridade social" é o de ter "o pragmatismo de perceber que ela tem de ser doseada, sob pena de o objectivo social ser comprometido".

Marcelo aponta os desafios que uns e outros enfrentam. "Do lado do Governo há dois problemas permanentes, um é garantir a força e a solidez da base de apoio, o outro é garantir a compatibilidade entre medidas sociais e o cabimento financeiro. Do lado da oposição é reaprender a ser oposição depois de quatro anos e meio em que foi Governo.

Esta calibragem exige consensos e Marcelo diz que os mesmos  dependem dos protagonistas. "Acho que é um problema de cultura cívica. As pessoas têm de olhar para os países mais desenvolvidos no mundo e na Europa, que são os nórdicos, e perceber porque é que aquilo funciona melhor. A verdade é que eles têm uma prática de coligação e de entendimento muito antigo".

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