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Francisco del Val: “Distinguimos as pessoas que estão por trás de serviços inovadores e sustentáveis”

3 perguntas a Francisco del Val, Diretor-geral da Sanofi

Filipe S. Fernandes 19 de Maio de 2021 às 15:00
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"Devemos ter como premissa máxima que o investimento em saúde não é um custo imediato mas sim um investimento gerador de sustentabilidade a longo prazo para a sociedade, a economia e o país", diz Francisco del Val, diretor-geral da Sanofi.

Em termos de visão de futuro da saúde, que é o tema do prémio deste ano, como perspetiva os desafios do pós-pandemia?
A pandemia veio alterar de forma significativa a área da saúde. Por um lado, acelerando processos há muito pensados, mas com uma aplicabilidade limitada, como o caso da digitalização das consultas médicas e por outro, colocando em evidência algumas deficiências e ineficiências do sistema. Independentemente da área, seguimos com a certeza, que está a ser um período de aprendizagem para todos, do qual devemos retirar lições construtivas sobre novas formas de trabalhar, de comunicarmos e nos relacionarmos e de gestão que nos permitam avançar e antecipar e planear de forma estratégica situações futuras. A pandemia veio ainda demonstrar a enorme capacidade de adaptação das instituições a uma realidade completamente desconhecida, com uma forte aposta na literacia e inovação em saúde.

Diria que os desafios da era pós-pandemia se colocam na reabilitação da economia, na reorganização das instituições, na definição de políticas públicas que reforcem as estruturas comunitárias e proporcionem alguma estabilidade e previsibilidade às empresas e na promoção de medidas que promovam o apoio à saúde das populações e a literacia e prevenção da doença. Na adoção de modelos de gestão, mais eficientes e que permitam medir os resultados reais em saúde de forma clara, centrando-nos nas necessidades do doente.

Quais são as suas expectativas em relação à forma como as organizações e as instituições da saúde estão a construir o futuro?
A pandemia veio revelar um nível de cooperação e de inovação absolutamente incrível dentro das instituições e entre as diferentes organizações. Nesse sentido, penso que podemos olhar para o futuro com uma perspetiva renovada e muito positiva, pois estamos a assistir a uma transformação geral e global e também a uma consciencialização sem precedentes por parte de todos.

A pandemia veio criar novas oportunidades, mostrar novos caminhos, novas formas de trabalharmos e de comunicarmos, de fazer medicina e de cuidar, acelerar a digitalização, as parcerias improváveis … a mudança está aí e veio para ficar.

O apoio à investigação e à inovação nesta fase é mais do que nunca crucial para a construção de sistemas de saúde robustos e sustentáveis que possam enfrentar potenciais desafios futuros na área da saúde. E esta pandemia veio revelar a enorme capacidade de resposta que as instituições tiveram face a este problema de saúde pública, pelo que agora e no futuro os desafios serão encarados com a experiência e o saber adquiridos. As possibilidades futuras são infinitas se assentes na aprendizagem constante e na união de esforços.

O prémio está na 10.ª edição, qual é o balanço que faz dos prémios Saúde Sustentável?
Um balanço claramente positivo para todos. Para os premiados que implementaram e partilharam boas práticas em saúde, assentes em critérios de sustentabilidade económica, ambiental e de serviços mas, também, para o utente uma vez que estas boas práticas refletem um melhor serviço das diversas organizações às pessoas que servem.

Mais do que distinguir projetos, distinguimos e reconhecemos os profissionais dedicados à área da saúde quer seja num hospital, num centro de saúde, numa farmácia ou uma associação de doentes. Distinguimos as pessoas anónimas, que estão por trás de serviços inovadores e sustentáveis, que humanizam a saúde e os cuidados, que os pensam e colocam em prática na sua atividade diária em prol do doente e da sociedade. A saúde é a força motriz de tudo, educação, sociedade, economia.

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