Na Figueira, a gestão do hospital já está à distância de um clique

No Hospital Distrital da Figueira da Foz, a tecnologia está ao serviço da gestão. Um sistema de "business intelligence" permite acompanhar a evolução de uma série de indicadores e tomar o pulso às contas do hospital.
Na Figueira, a gestão do hospital já está à distância de um clique
Sara Matos
Rita Faria Sara Matos - Fotografia 16 de junho de 2016 às 11:11
Então está boazinha?", pergunta Conceição Morais a uma utente, a caminho do serviço de especialidades médicas, que reúne, entre outras, a cardiologia, a neurologia e a psiquiatria. "Bem, muito obrigada, doutora", responde a paciente, que espera para ser consultada. De passo apressado, a médica prossegue caminho pelo corredor envidraçado do hospital, que deixa ver o mar a poucos metros.

Com quase três décadas de experiência na medicina, Conceição Morais está à frente da única especialidade - a neurologia - que, em 2014, cumpriu todos os objectivos contratualizados com a administração do hospital, que incluem indicadores como a demora média para a marcação de consultas, a percentagem de reinternamento, os custos por doente e o orçamento global da especialidade. "Não foi fácil, mas também não posso dizer que é difícil", diz a médica. "É um empenho que o serviço tem. Cada elemento tem vontade de cumprir e, por isso, é uma preocupação do nosso trabalho".


580
Funcionários
O Hospital Distrital da Figueira da Foz conta, no total, com 580 trabalhadores.


O modelo de contratualização interna foi introduzido no Hospital Distrital da Figueira da Foz há três anos e, segundo o presidente do conselho de administração, Pedro Afonso, tem dado os seus frutos.

A verdade é que, em 2015, o hospital atingiu pela primeira vez resultados líquidos positivos sem recurso a subsídios de convergência ou dotações financeiras extraordinárias. "Acho que é um modelo indutor de mudança e de melhores resultados" porque "responsabiliza as pessoas", considera o gestor. "Só temos uma forma de gerir em saúde, que é envolvendo e responsabilizando. Este modelo de partilha assenta muito nessas premissas que creio serem indutoras da trajectória positiva".


Ainda que os custos sejam uma preocupação constante do trabalho dos 580 funcionários do hospital, Conceição Morais, a directora de serviço, admite que o foco na sustentabilidade não pode sobrepor-se ao rigor no tratamento dos doentes. "Não podemos alterar um tratamento só para evitar dar um medicamento mais caro", aponta.

Na base do sistema de gestão - que implica a tradução das metas contratualizadas com o ministério da Saúde em objectivo internos - está um software informático, o Healthcare Insight, que permite à administração e aos directores de serviço acompanhar a evolução dos indicadores, recorrendo apenas ao computador, iPad ou smartphone.

Pedro Afonso reconhece, contudo, que no Hospital da Figueira da Foz já não há muita margem de manobra. "Temos o custo por doente mais baixo do nosso grupo. Com o nível de eficiência que alcançámos não há margem para descer muito mais os custos", afirma. "O desafio é encontrar áreas de eficiência para suportar as novas despesas que aparecem todos os dias na saúde".


Essas evoluções são o resultado da tecnologia e da inovação, que também constam na lista de prioridades da unidade de saúde, que lançou recentemente uma aplicação para melhorar a comunicação entre o hospital e os utentes. Através da "app" é possível consultar todas as informações sobre horários, serviços e acessos, e até receber alertas. "É uma das estratégias para evitar que as pessoas faltem às consultas", explica Pedro Afonso. "Há um grande desperdício com as faltas. O sistema está a investir recursos e não está a resolver os problemas dos utentes".

É mais um passo na modernização dos serviços do hospital, cuja história remonta a meados do século XIX. Porém, os sinais do tempo não são visíveis nas instalações que se erguem junto à praia da Cova Gala, remodeladas em Novembro de 2010.


Como fez mais com menos

Responsabilizar e partilhar a gestão

Em 2013, o presidente do conselho de administração, Pedro Afonso, decidiu adoptar o modelo de contratualização interna na gestão do hospital. O sistema implica que, todos os anos, a gestão traduza os objectivos contratualizados com o ministério da Saúde em metas internas para cada um dos serviços. "Não é mais do que um modelo de gestão por objectivos", explica o gestor. Além do novo sistema, o hospital tem apostado em estratégias simples, como evitar faltas às consultas, para que não haja desperdício de recursos. Para isso desenvolveu uma aplicação que, entre outras funções, envia alertas aos utentes para lembrar das próximas consultas.


Pontos fortes

O modelo de contratualização interna permite que todos os serviços estejam mais envolvidos na gestão do hospital. Os "cumpridores" recebem incentivos.

Controlar as despesas
Acompanhar a evolução dos indicadores contratualizados com a administração do hospital permite aos serviços rentabilizar os recursos da melhor forma e evitar desperdícios.

Priorizar investimentos
Se os serviços atingirem os objectivos têm acesso a uma dotação financeira, que se pode traduzir em apoio à formação ou equipamento. Para a administração, é uma forma de priorizar os investimentos internos.





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