Nova ferramenta coloca médicos e utentes em contacto em tempo real

Chama-se Plano Individual de Cuidados e está disponível de forma gratuita para todos os residentes em Portugal, permitindo ao utente interagir com o médico em tempo real, assim como ter um acompanhamento atualizado em permanência.
Nova ferramenta coloca médicos e utentes em contacto em tempo real
Pedro Ferreira
Dora Troncão 05 de novembro de 2019 às 16:30
Cristiano Marques (foto em cima) é o responsável dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde pela implementação deste projeto finalista do Prémio Saúde Sustentável que está disponível de forma gratuita para qualquer cidadão residente em Portugal.


O Plano Individual de Cuidados (PIC) é apresentado por Cristiano Marques, Coordenador dos Sistemas de Informação dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), como "uma ferramenta, completamente centrada no utente, e cujo objetivo é, em conjunto com o médico família ou médico assistente, definir metas, objetivos e ações a tomar para promover a sua saúde, ou tratar de forma ativa doenças, que já estejam diagnosticadas".

Está disponível de forma gratuita para qualquer cidadão residente em Portugal, dentro da área do cidadão do portal do SNS (https://www.sns.gov.pt/cidadao) ou através da app MySNS Carteira. Ao descarregar ou inscrever-se nestas plataformas é possível aceder a várias funcionalidades, uma delas é o PIC.

Como funciona? O objetivo é que numa consulta se possa tirar uma fotografia do estado da arte daquilo que é ponto de saúde daquele utente - saber, por exemplo, quais os diagnósticos, alergias identificadas, os procedimentos médicos realizados, cirurgias - e, em conjunto com o médico, definir um plano de ação, que pode ser de três, seis ou nove meses, dependendo da situação clínica.

Pela primeira vez temos uma ferramenta, que permite uma interação direta com o médico, que, à distância, pode acompanhar os registos e corrigir algum pormenor.

Nunca há dois planos iguais, é conversando com o médico que se define o melhor plano específico para o utente. 
cristiano marques
Coordenador dos Sistemas de Informação da SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde

"Nunca há dois planos iguais, é conversando com o médico que se define o melhor plano específico para o utente", ressalta Cristiano Marques. Com o PIC definido em consulta, posteriormente, em casa, interagindo através do portal ou da app, o utente vai indicando se está a cumprir o plano e como se está a sentir. O PIC também foi desenhado para pessoas com doenças crónicas e que de uma forma regular, já têm de ir ao médico de família.

No sentido de cumprir o que foi acordado em consulta, o PIC lança alertas, mas também orienta os utilizadores para fazer uma boa alimentação e exercício físico, por exemplo, procurando apostar na prevenção ao lembrar a necessidade de ter hábitos de vida saudáveis. "Pela primeira vez temos uma ferramenta, que permite uma interação direta com o médico, que, à distância, pode acompanhar os registos e corrigir algum pormenor", diz ainda.


Outra componente de inovação é a transversalidade. "Cada vez promovemos mais o livre acesso e circulação; podemos ir aos cuidados de saúde que bem entendermos e não podemos deixar a informação estanque no SNS, no privado ou no social e, portanto, esta informação está agora disponível em todos os setores porque sabemos que existe um maior número de pessoas com seguros de saúde que vão ao privado e isso não deve significar que ficam sem o acesso a esta ferramenta", defende.

O PIC está desenhado para o cidadão poder ativar, mas é recomendável que seja feita a ativação no âmbito de consulta. "Como nasceu de um trabalho conjunto de vários stakeholders importantes - a Escola Nacional de Saúde Pública, médicos de família, profissionais de saúde no terreno e utente - foi pensado para ser um Plano seguro e adequado, logo é importante que seja feito no âmbito de uma consulta", sublinha.

Os resultados do PIC

Cristiano Marques salienta que os principais benefícios deste plano são o combate as listas de espera e poupanças financeiras "porque o utente evita consultas desnecessárias - e traz ganhos em saúde".


1500
Planos
O projeto dos SPMS arrancou com um piloto na zona norte com mais de 1500 Planos Individuais de Cuidados.


O projeto arrancou com um piloto na zona norte, com mais de 1500 Planos Individuais de Cuidados mas já está a ser alargado para cidades, como Aveiro e Beja. Entre as maiores preocupações, manifestadas pelos utilizadores do Plano, estão a alimentação, o exercício físico, o sono e o humor. "Estes resultados são uma viragem, representam uma inversão da pirâmide porque a nossa preocupação sempre foi o tratamento da doença e estas áreas são claramente promoção de saúde em vez de tratamento da doença, o que, a médio longo prazo, irá trazer benefícios às entidades de saúde e aliviar a sobrecarga no sistema nacional de saúde", vaticina.

Cristiano Marques revela que as pessoas que mais aderem ao Plano Individual de Cuidados têm entre 30 a 55 anos de idade.

"Estamos a tentar garantir que, no âmbito das consultas do SNS de prevenção da doença e de saúde, se promova sempre a ativação do Plano Individual de Cuidados, seja nas consultas regulares de check-up ou nas consultas obrigatórias até aos 18 anos, por exemplo", afirmou o responsável do PIC, defendendo que "ser acompanhados à distância traz uma segurança à população e diminui as idas às consultas, havendo, desta forma, mais vagas para pessoas, que efetivamente precisam, além de trazer ganhos de saúde porque se o utente precisa de uma correção de saúde é possível fazê-lo de imediato através da telemonitorização, só chamando o doente quando faz sentido".


Cristiano Marques adiantou que neste momento estão a trabalhar numa ferramenta de teleconsulta, disponível através da área do cidadão e da nossa app, em associação com o Plano Individual de Cuidados, para que "a qualquer momento o médico avalie com o utente, por exemplo, a necessidade de uma consulta presencial e não haja lugar a deslocações desnecessárias".

Hoje em dia mais de dois milhões e 300 mil pessoas têm acesso à área de cidadão do portal SNS. Mais de 500 mil pessoas têm a app no telefone, a MySNS carteira

Vários desafios atuais e futuros

O responsável dos SPMS revelou ainda que uma das novidades "é fazer com que objetos tecnológicos/gadgets que utilizamos, debitem informação para o PIC para evitar a obrigação de registos manuais que são sempre suscetíveis de erro e promover a automatização". Outro dos desafios apontados por Cristiano Marques passa por "intensificar" o trabalho com os médicos pois não querem que "o PIC seja mais um motivo para desviar o olhar do utente para o computador, mas sim um prolongamento da consulta, que permita uma corresponsabilização da saúde porque é de uma conversa entre o médico e utente que se define o PIC".

O responsável por este projeto disse ainda que pretendem criar uma solução de teleconsulta, associada ao PIC, desencadeando uma consulta presencial sempre que necessário, e fazer com que a população que não tem acesso às tecnologias não fique de fora do PIC.


A figura
Cristiano Marques
Coordenador dos Sistemas de Informação dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS)

"Combate as listas de espera, traz benefícios financeiros - porque o utente evita consultas desnecessárias - e traz ganhos em saúde", estes são os benefícios anunciados por Cristiano Marques para o PIC. É o responsável pelos produtos diretamente direcionados para o cidadão e que promovem integração de cuidados entre hospitais e centros de saúde. Entrou na área da Saúde em 2012, depois de experiências pela banca e pela investigação em Inteligência Artificial, foi responsável por projetos como os Portais do SNS, Registo de Saúde Eletrónico, Área do Cidadão do Portal SNS e MySNS Carteira.

É ainda gestor de diversas iniciativas SIMPLEX e formador em Gestão de Projetos na Academia dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.


"Os vídeos dos projetos finalistas ficam disponíveis, a partir de 22 de novembro, em www.premiosaudesustentavel.negocios.pt"





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