A inovação faz-se com tecnologia e talento

O cliente é central na inovação nas seguradoras e é com este foco que mobilizam tecnologia, criatividade e talento para poder garantir de uma nova maneira todos os riscos.
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Filipe S. Fernandes 05 de abril de 2018 às 11:42

"A transformação digital no sector dos seguros tem sido um processo contínuo e ao longo da história desde cedo investiu na tecnologia. Foi uma empresa de seguros que se tornou o cliente número um do computador UNIVAC nos anos 50" refere Marcos Perestrelo, chief technology officer da i2S. Frisa que o foco "foi muito interno, na automatização de cálculos e depois de processos", mas com revolução digital passou para "a interacção com clientes, o que leva as seguradoras a mudar o foco do interno para o cliente".
Por sua vez, como adianta Nuno Luís Sapateiro, associado senior da PLMJ, "a inovação nos seguros pode ser encarada na perspectiva interna da seguradora, ou seja, na perspectiva de optimização de custos e criação de novos modelos de negócio mas nunca se poderá descurar a perspectiva de um melhor serviço ao cliente". É o que explica "o investimento que tem sido feito nas plataformas online para clientes e mediadores".
Líderes ou seguidores
Marcos Perestrelo admite que "a inovação nos seguros terá que acompanhar a evolução tecnológica". Se os clientes mais digitais valorizam a facilidade de interacção com as seguradoras, os ecossistemas de seguros e o trabalho entre seguradoras e parceiros privilegiam a rapidez, conveniência e automatização.
Mas são basta a tecnologia, é necessário investir em talento. A inovação e a melhoria de processos no sector segurador tem de ter "um balanço adequado entre talento humano e incorporação tecnológica" alerta Rogério Dias, general manager da Generali. "Para inovar de forma consistente e duradoura é necessário incluir valores como a criatividade nas empresas, bem como criar espaços de innovation thinking que fomentem o surgimento de novas ideias, sempre focados numa cultura de centralidade no cliente" conclui.
Para Rogério Dias, "o sector segurador lidera as principais tendências mundiais, desenvolvendo soluções de seguro emergentes, o que o torna numa indústria de ponta sem a qual o desenvolvimento de novos negócios é muitas vezes impensável". Tem tido capacidade de responder com novos produtos e coberturas, como carros autónomos, casas inteligentes, ou novos riscos pessoais ou profissionais.
Os novos riscos
Como assinala Nuno Luís Sapateiro, "têm aparecido novos produtos que vêm dar resposta a riscos que não tinham tanta materialidade no passado". São os casos do crescimento dos seguros D&O (responsabilidade civil para gestores e administradores) que acompanhou o acentuar da crise económica, os seguros cyber risk e o crescimento dos seguros oncológicos.
Considera que "as alterações legislativas e as tendências do mercado continuarão a delimitar o espaço para novos produtos com coberturas inovadoras". Adianta que o novo regulamento de protecção de dados, por exemplo, pode permitir o desenvolvimento dos seguros cibernéticos e de produtos vocacionados especificamente para os riscos decorrentes do armazenamento e tratamento de dados pessoais.
"Todo o sector financeiro está a passar por uma necessidade de se reinventar, de entender como lidar com a desintermediação e com concorrentes com novos modelos de negócio" diz Luís Cardoso, Innovation and Projects Director da Liberty Seguros. Acentua que hoje a necessidade de mudar vem das expectativas dos clientes pois "não há barreiras de setor, porque a tecnologia unificou as experiências". Na sua opinião, "as seguradoras começaram mais tarde na era digital e como tal estão a passar por dores de crescimento aceleradas".
Considera que a dificuldade de rentabilizar algumas das maiores linhas de produto, como os seguros obrigatórios leva à "tentação é resolver os problemas do curto-prazo". Por outro lado, "a falta de agilidade dos sistemas centrais impede que possamos responder com a rapidez de empresas sem histórico e que criaram soluções totalmente baseadas no mobile e na web".

TOME NOTA

As tecnologias do futuro dos seguros

"Quanto às tecnologias mais adoptadas, de forma genérica podemos referir as plataformas mobile, de micro-serviços, de omni-canal, componentes opensource e ainda o conjunto de tecnologias associadas aos DevOps, que afectam a forma de criar e instalar software" refere Marcos Perestrelo. Por sua vez, Rogério Dias e Luís Cardoso elencam algumas das principais tendências de futuro no universo dos seguros.
Smart devices
a sua crescente utilização e massificação permite ao consumidor final obter informação de produtos, adquirir uma apólice, participar um sinistro, efectuar um pagamento, ou outras operações simples e rápidas.
Inteligência artificial 
um Bot, por exemplo, que combina tecnologias de voice recognition, com machine learning e outros recursos de inteligência artificial, poderá facilitar alguns processos, como seja um pedido de assistência em viagem, a informação de um produto, o pagamento de despesas de saúde, a regularização de processos de sinistros sem grande complexidade. Contribuem para o controlo de custos e a melhoria da experiência do cliente final.
Cloud computing
permite a gestão e armazenamento de dados, estando a informação acessível em qualquer lugar e a qualquer hora, suportando todos os desenvolvimentos tenológicos sucessivos através da internet.
Telemática/Internet das Coisas 
abre caminho a novas soluções. Por exemplo no seguro automóvel torna possível avaliar os hábitos dos condutores e definir condições ajustadas ao risco, o veículo pode chamar a assistência em caso de acidente. A domótica (IoT) pode contribuir para o controlo e prevenção do risco de uma habitação com detectores inteligentes de fugas de gás ou água em casa, fechadura detecta intrusões, ou, num seguro de transporte, ainda detectores que seguem as mercadorias.
Big Data, analytics 
o processamento de enormes quantidades de dados e o seu relacionamento, muitas vezes em real time, são poderosos. Mesmo cm as barreiras cada vez mais estritas à manipulação dos dados pessoais, hoje em dia pode-se combinar dados estruturados (no core systems) e não estruturados (por exemplo, retirados da net) para ampliar o conhecimento sobre os clientes e individualizar a sua protecção. 
Blockchain
é uma tecnologia baseada na confiança e na troca de informação baseada em smart contracts que permite conexões fiáveis e quase indestrutíveis (pela forma como estão atomizadas na rede). Há aplicações como a troca de informações com autoridades públicas, a integração plena de sistemas com fornecedores.
Impressão 3D
já se faz a impressão de casas low cost em 48 horas, para acorrer em necessidades de habitação. Nos seguros pense-se por exemplo na possibilidade de imprimir um farolim danificado num acidente, com um modelo enviado pela seguradora, em vez da deslocação a uma oficina. 


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