Outros sites Cofina
Notícia

José António de Sousa: "O sector segurador não é um sector especulativo"

José António de Sousa considera que os fundos especulativos vão ter dificuldade em vender rapidamente as seguradoras que compraram em Portugal. E diz que há empresas no sector que continuam a travar uma guerra demencial assente no preço.

Filipe S. Fernandes 11 de Fevereiro de 2015 às 10:22
  • Partilhar artigo
  • ...

José António de Sousa CEO da Liberty

 

 

A Liberty Seguros teve "mais um ano bom, com crescimento e rentabilidade positiva" sintetiza José António de Sousa, 59 anos, que desde de 2003 lidera a filial da companhia norte-americana em Portugal. Refere ainda que o sector atravessa grandes mudanças : "Está em perfeita ebulição sísmica!"


Qual é o balanço que faz da actividade seguradora no ano passado tanto em termos de Liberty Seguros como do sector?
Ainda é bem cedo para fazer esta avaliação para o sector segurador globalmente, pois ainda não foram publicados os resultados das seguradoras. Temos alguns indicadores de crescimento, que mostram que o sector terá crescido graças a Vida e Saúde, pois os Ramos Não-Vida continuam a decrescer. Teremos fechado o ano de 2014 sensivelmente com o mesmo volume de prémios em Não-Vida que havia em 2003, ou seja tivemos mais de uma década perdida em termos de crescimento.
O que se irá verificar, e é bom que se divulgue, é que há companhias de certa relevância no mercado que perderam dinheiro em 2012, em 2013, e continuaram a perder dinheiro em 2014. Será interessante verificar o que os accionistas irão fazer para parar a série de resultados negativos, porque, o mais curioso, é que são precisamente essas seguradoras as que se destacam pela negativa na guerra demencial assente no preço que continua a travar-se no mercado.


Quais são as perspectivas para 2015 em termos de constrangimentos e de oportunidades?
O ano de 2015 vai continuar a ser muito complicado para a parte Não-Vida, porque a economia portuguesa ainda não se encontra a crescer a taxas suficientemente altas para que a actividade económica tenha um impacto positivo na parte de Não-Vida. Espero um crescimento moderado da parte Não-Vida, sendo que o contributo de Vida e Saúde poderá uma vez mais ajudar o sector a fechar, no seu todo, 2015 com um crescimento modestamente positivo.

 

Qual é a análise que faz da entrada de novos actores no sector? São previsíveis mais mudanças?
Os novos actores compraram velhos e vetustos actores tradicionais do mercado. Irão implementar cautelosamente (ou nem tanto, num ou noutro caso em que já são visíveis mudanças importantes a nível da administração) novas filosofias de gestão, mas terão que fazer a sua inevitável travessia do deserto em termos de conhecimento do mercado e das alavancas de sucesso e de rentabilidade, que muitos gestores do mercado pura e simplesmente desconhecem (ou espezinham).
Além do mais, há novos actores com filosofias distintas. Enquanto uns compraram e não largam o que compraram, são investidores de longuíssimo prazo, outros há que são fundos especulativos de curto prazo, cuja finalidade é comprar barato, tratar de "descremar" a operação, e vendê-la mais cara do que aquilo que pagaram por ela dentro de três a cinco anos. Estes últimos terão muitas dificuldades em fazê-lo, porque o sector segurador não é um sector especulativo. Aposto também em mais alguma consolidação, quer a nível de parceiros de distribuição, quer a nível de operadores.

 

Como está a Liberty Seguros e o sector a enfrentar os desafios na regulação e na supervisão?
Nos pontos que o "lobby" do sector não consegue combater, há que preparar-se para cumprir. Nesta área falo apenas pela Liberty Seguros. Pertencemos a um grupo internacional em que só há uma regra quando se trata de legislação em vigor: cumpri-la estritamente, sem discussão. O sector segurador como um todo tem sido exemplar nesta área. Passaram sete anos desde a crise financeira internacional, e o sector segurador continua sólido e bem regulado.
Solvência II vai criar novos desafios, ao obrigar a criar almofadas de capital para operar provavelmente superiores aquelas que muitos accionistas gostariam, mas é a vida. Se é esse o caminho, e assim está legislado, só há é que cumprir. Se até hoje os consumidores do sector estavam bem protegidos fosse qual fosse o produto de seguros que comprassem, no futuro essa garantia é ainda muito maior. 

 

Mais notícias