Os seguros apostam na Economia do Envelhecimento

Em 2025, a economia do envelhecimento vai representar cerca de 32% do PIB da União Europeia. O envelhecimento como oportunidade de negócio abarca setores tão diferentes como os cuidados médicos, os produtos farmacêuticos, o lazer, mas também os seguros.
Os seguros apostam na Economia do Envelhecimento
Giampiero Prester diz que as seguradoras têm de adequar a sua oferta à realidade social.
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Filipe S. Fernandes 28 de março de 2019 às 13:00

Hoje, 20% da população portuguesa tem mais de 65 anos, mas em 2060 passará para 35%. Portugal já tem um dos rácios de dependência mais altos da OCDE de: 43,2%, mas estima-se que este irá duplicar, para mais de 70%. O índice de envelhecimento em Portugal era de 153,2% em 2017. O envelhecimento acelerado da população surge, como uma ameaça à "sustentabilidade dos sistemas de saúde públicos e de segurança social, com os efeitos que todos conhecemos ao nível da economia, em geral, e das finanças públicas, em particular", assinala Marisa Correia, responsável pelo departamento atuarial da Prévoir.

Para Giampiero Prester, diretor-geral da Generali Vida, "face a esta realidade, as seguradoras têm de ser capazes de adequar a sua oferta aos desenvolvimentos sociais, ajudando a comunidade com os seus produtos já existentes, bem como criando produtos inovadores para responder aos desafios que as pessoas enfrentam".

Há uma Economia do Envelhecimento que está a emergir e "que se prevê que venha a representar 32% do PIB da União Europeia em 2025", refere Juan Miguel Estallo, diretor de Produto da Liberty Seguros. O envelhecimento como oportunidade de negócio abarca setores tão diferentes como os cuidados médicos, os produtos farmacêuticos, o lazer, mas também os seguros.

Juan Miguel Estallo vê nesta tendência uma oportunidade para o setor dos seguros "oferecer novas soluções de gestão do risco, na medida em que o aumento da longevidade implicará maiores necessidades na área da saúde, o que representa um impacto direto nas seguradoras". O contraponto está no facto de o Estado ser obrigado a pensar em novas modalidades de apoios sociais.

É unânime que, como diz Giampiero Prester, a procura por cuidados de saúde tenda a aumentar com o envelhecimento da população, impulsionando a procura por seguros de saúde e que a reforma será uma preocupação crescente das pessoas, "uma vez que precisam de assegurar rendimento complementar por um período mais longo da sua vida, uma vez tendo em conta que o valor das pensões e reformas oferecidas pelo Estado tenderá a diminuir".

Os riscos relacionados com as pessoas vão aumentar tanto em frequência, como em intensidade. "É uma oportunidade para tornarmos os produtos Vida mais competitivos para os clientes, para estendermos a duração das apólices de risco e acompanharmos as pessoas durante a sua vida, cada vez com mais anos, com seguros de saúde, de acidentes de viagem, de lazer, entre outros", conclui Juan Miguel Estallo.

As novas soluções

Como diz Marisa Correia, "atualmente, os produtos do ramo vida que têm dado resposta ao risco de longevidade, são os de poupança, reforma e rendas vitalícias, que têm ainda pouca expressão e dinâmica em Portugal porque são caros e a gestão do risco de longevidade para as seguradoras é difícil de gerir". Explicita que "os produtos de poupança e rendas não são alternativos, mas sim complementares, ou seja, a poupança na fase de acumulação, e as rendas na fase de consumo".

A maior oferta de produtos de seguro menos tradicionais, para o segmento etário das pessoas mais velhas está claramente a crescer, nomeadamente com o aparecimento das garantias Long Terme Care (cuidados a longo prazo), que vêm cobrir esta necessidade de uma forma mais localizada.

Marisa Correia considera que um dos objetivos principais "é encontrar soluções para substituir as quebras de rendimento e o aumento dos custos que se verificarão na reforma. Estas poderão passar por soluções de poupança e reforma com eventual reembolso através de rendas temporárias e vitalícias, o desenvolvimento do mercado de rendas, soluções Long Terme Care, garantias nas áreas de saúde e doenças graves, possíveis parcerias com os setores público e privado a nível de assistência pessoal".

As previsões demográficas para 2060

8,6 milhões de pessoas será a população residente em Portugal.

O índice de envelhecimento aumenta de 131, 2012, para 307 idosos por cada 100 jovens.

O índice de sustentabilidade potencial passa de 340, em 2012, para 149 pessoas em idade ativa por cada 100 idosos.

35% da população terá mais de 65 anos, contra 20% em 2012.

A população em idade ativa (dos 15 aos 64 anos de idade) residente em Portugal diminuirá de 6 904 para 4 540 milhares, entre 2012 e 2060.

Fonte: Cenário central, Projeções de população residente 2012-2060, INE, 2014.






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