Seguros: Uma oportunidade para a eficiência

Esta alteração estrutural pode ser aproveitada pelas seguradoras para repensar a digitalização de processos e aumentar a eficiência.
Seguros: Uma oportunidade para a eficiência
Alexander Scarlet, chief financial officer da Generali, diz que a IFRS 17 implicará partilha de conhecimento.
Filipe S. Fernandes 04 de abril de 2019 às 13:00

"A implementação da IFRS 17 constituirá uma oportunidade para que os seguradores transformem as suas operações no sentido da inovação e automatização dos processos de relato financeiro e atuariais", assinala Carlos Maia, partner da PwC. A complexidade da norma pode potenciar o repensar de processos de forma a torná-los mais eficientes. O recurso à tecnologia constituirá uma vertente fundamental na adoção da norma, existindo já um conjunto de soluções tecnológicas disponíveis no mercado. A exigência a nível da granularidade e qualidade dos dados poderá levar os seguradores a repensarem a sua arquitetura de dados e, consequentemente, a sua arquitetura de sistemas. "Há, ainda, um número relevante de seguradores que baseiam o relato financeiro e o cálculo atuarial em processos manuais, pouco integrados com os restantes sistemas e com recurso a ferramentas de cálculo individuais", revela Carlos Maia.

Para João Lapa Pereira, consultor na i2S, as empresas de seguros são confrontadas com três alterações-chave a nível dos seus sistemas, como a granularidade dos dados necessários para os cálculos iniciais e continuados, a componente de cálculo de CSM (Contratual Service Margin), que será novo para a maioria das seguradoras, e a integração sistemática com a contabilidade. Como explica, a primeira alteração "implica rever atuais formas de extrair dados de sistemas atuais. A segunda implica selecionar e implementar um novo sistema informático atuarial e, potencialmente, integrá-lo com outros sistemas. E a terceira implica uma definição entre atuários e contabilistas de forma de trabalho, períodos de reporte e rastreio do sistema como um todo".

A IFRS 17 é uma alteração estrutural, sublinha Alexandre Scarlet, chief financial officer da Generali, por isso "a sua adoção deve ser encarada pelos operadores do mercado também como uma oportunidade de reestruturação profunda dos seus sistemas de informação, introduzindo, em paralelo, novas ferramentas/tecnologias com o objetivo de melhoria de eficiência dos seus processos".

Alexandre Scarlet inclui esta mudança no atual processo de transformação digital das seguradoras, "em que as operadoras reinventam os seus modelos de negócio em função de um perfil de cliente cada vez mais digital e redefinem as suas parcerias estratégicas de distribuição, para melhor satisfazer as necessidades cada vez mais exigentes dos seus clientes, as exigências sob o ponto de vista de inovação tecnológica são constantes".

Todo este processo implica investimentos elevados, tendo em conta a complexidade da arquitetura de sistemas das companhias, nomeadamente a nível da quantidade de fontes de informação disponíveis, da forma como os dados são armazenados e da capacidade de integração entre sistemas. "Tal como já tinha acontecido com o regime de Solvência II, serão as seguradoras de menor dimensão que irão ter mais dificuldades, sobretudo porque, devido à sua escala mais reduzida, os encargos de contexto inerentes a esta complexa norma terão, proporcionalmente, um impacto bastante mais oneroso", constata José Gonçalves, diretor financeiro da Prévoir. Refere ainda que "em alguns países europeus, contrariamente a Portugal, as IFRS só se aplicam às seguradoras cotadas em bolsa e, como tal, há muitas companhias de seguros por essa Europa fora que não aplicarão a IFRS 17".




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