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Quem é que não quer visitar um dos melhores sítios do mundo?

Lisboa está na moda, os principais guias e publicações internacionais têm colocado a capital nacional no centro das atenções e os turistas querem confirmar se os elogios correspondem à verdade.

Ana Torres Pereira atp@negocios.pt 29 de Agosto de 2013 às 09:00
Bruno Simão/Negócios
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O melhor sítio do mundo é… onde nos sentimos em casa. O nosso canto, onde somos acolhidos com um sorriso e onde queremos sempre regressar. É assim que os de fora têm visto a capital portuguesa.

 

A revista "Forbes" colocou Lisboa no topo da lista dos locais mais interessantes do mundo para se ter umas férias memoráveis, o guia "Lonely Planet" recomenda-a como uma das principais cidades na sua relação qualidade-preço e a "US News" atirou-a para o primeiro lugar dos destinos mais económicos, sendo "o sítio onde se pode ter tudo o que se espera de umas férias na Europa". Também este ano, Lisboa foi votada como um dos "European Best Destinations", logo a seguir a Istambul, e à frente de Viena, Barcelona, Amesterdão e Madrid. Lisboa está de braços abertos para os turistas e eles enchem as suas ruas e vielas, para conhecer todos os cantos desta cidade.

A baixa de Lisboa tem estado cheia, o bom tempo trouxe as pessoas para a rua e os turistas sobem e descem a uma passada calma para dar início ao desafio de percorrer as sete colinas. Com a "bíblia", sempre debaixo do braço: "100% Lissabon", "Eyewitness Travel Lisbon", "Un grand weekend à Lisbonne" e sempre a postos com a máquina fotográfica, os que a dispensam trocam-na pelo "smartphone". E ninguém quer perder pitada. Bem-vindos à cidade do fado, do Castelo de São Jorge, de Fernando Pessoa, do Rio Tejo, da boa comida. Bem-vindos a um dos melhores destinos do mundo.

Lisboa está definitivamente na moda. A crise até parece ter ficado para trás, os problemas esquecidos por momentos, os prédios devolutos quase desaparecidos. A velha cidade modernizou-se e está cosmopolita. As esplanadas e os pontos de interesse multiplicam-se e as principais marcas internacionais não estão a querer perder a oportunidade de aproveitar um mercado que está a crescer e a aguçar a curiosidade dos estrangeiros, que têm trocado outras cidades europeias por Lisboa.

Laura Alonso e Borja Vigo são dois turistas espanhóis que vieram de Bilbau para visitar pela primeira vez a capital de Portugal. Porquê Lisboa? Sem expectativas saíram de Espanha para descobrir a história desta cidade à beira rio plantada. E nada como a conhecer andando a pé, misturando-se com os lisboetas e dando uma oportunidade a uma "outra" cidade. E José Miranda, guia turístico da "Lisboa Autêntica", fez-lhes a vontade, dando a conhecer os locais emblemáticos, as histórias mais escondidas.

Tinha três horas para dar "um primeiro cheirinho" da cidade do Santo António e da Amália Rodrigues. Foi no Largo Camões que tudo começou... À sombra, sentados num banco do jardim recebem o primeiro "briefing" da história, o terremoto, a arquitectura, o rio... A primeira fotografia estava tirada. José distribui águas e a jornada estava pronta para começar, pela Rua Garrett.

A tarde ainda agora tinha começado e o Chiado estava à pinha. Os guias turísticos espalhavam-se pelas ruas com grupos maiores ou mais pequenos. Laura conta que visitar Lisboa a pé sempre foi a primeira opção. E o casal continuou o seu caminho. A primeira paragem fez-se na Brasileira, fala-se de Pessoa, que à porta do café estava a ser abraçado por turistas que não queriam deixar Lisboa sem uma foto com o poeta. José Miranda, depois de uma explicação rápida sobre este local de tertúlias, não deixou de recordar quais eram as antigas lojas do Chiado, que agora dão lugar a espaços comerciais de multinacionais. A retrosaria David & David, passando pela Paris em Lisboa... E a caminhada continua.

Rua acima, rua abaixo ouve-se francês, espanhol, inglês... os turistas multiplicam-se. Mário Machado, vice-presidente do Turismo de Lisboa, detalhou que os espanhóis continuam a ser em maior número, mas "os alemães, os ingleses, os franceses, os norte-americanos e os russos, vão sendo os mercados emissores com maior tendência de crescimento". E o mercado brasileiro, "ainda que com crescimentos mais modestos que no anos anteriores (apenas 3%) é, a Junho, o segundo mercado emissor para Lisboa".

No passeio, Julia e Borja cruzam-se com o americano Jesse Barlow, no cimo do elevador de Santa Justa. Há pouco mais de quatro horas na cidade, este turista veio a Lisboa convencido por uma amiga que o acompanhava e que o acolhia na sua casa. "É uma cidade calma e relaxante, estou aqui há quatro horas e estou a gostar", disse.

São cada vez mais os jovens que visitam a capital e escolhem um alojamento diferente do convencional hotel. Os "hostels" estão na moda, mas o número de casas particulares disponíveis para os turistas também é um mercado em crescimento. "Estas unidades têm sido responsáveis pela reabilitação de muitos prédios na zona histórica da cidade", diz Eduardo Miranda, sócio da Heart & Soul, uma empresa de alojamento local. Com 25 unidades disponíveis, a Heart & Soul tem centrado a sua aposta em famílias e grupos de amigos. "Os franceses estão muito acostumados a este tipo de alojamento, os canadianos e os ingleses vêm cada vez mais, o mercado nórdico está em crescimento e o público americano e brasileiro também", acrescentou.

Julia e Borja continuaram na sua caminhada pelo Rossio, apearam-se no eléctrico 12 e subiram até ao Castelo de São Jorge. "É seguro?", perguntou Borja. É preciso ter cuidado com as carteiras, os sinais estão espalhados. "Castelo de São Jorge, "Château de Saint George", "Castle of Saint George", grita a maquinista. E saímos... A vista sobre a cidade continua a despertar a atenção destes espanhóis.

O passeio está praticamente a terminar com uma última paragem nas escadinhas de São Cristóvão, onde José Miranda traduz o mural feito por artistas plásticos e graffiters que recorda a Severa, Amália Rodrigues e o fado. Já na Rua da Madalena, Julia e Borjas sabem que ainda há muito para descobrir em Lisboa. No dia seguinte prometem continuar...

 
Alojamento: Como se ficassem em casa

São cada vez mais os turistas que chegam a Lisboa e escolhem alojamentos menos convencionais. Os "hostels" estão na moda, mas multiplicam-se o número de prédios que se converteram em "hotéis".

 

Eduardo Miranda é um dos sócios da Heart & Soul, um conjunto de unidades de alojamento em prédios reabilitados, polvilhadas pelo centro da cidade. "Ainda é uma franja do turismo, mas está a crescer, há um potencial de crescimento". A Heart & Soul tem estado a apostar na oferta de unidades para famílias e grupos maiores. "É difícil arranjar alojamento para cinco ou seis pessoas juntas e nós apostamos no serviço", explicou. Contudo, admite que apesar da procura estar a aumentar, a oferta tem crescido em proporção.

 
Crescimento: Estrangeiros compensam

O turismo em Lisboa continua a crescer. Apesar de ainda só ter os números de Junho, Mário Machado, vice-presidente da Associação de Turismo de Lisboa, estima que o Verão esteja a ser melhor do que no ano passado. No entanto, não pode ainda falar de saída da crise. "Ainda é bem visível nos números das dormidas nacionais o efeito da crise que penaliza os portugueses", diz. Houve um crescimento, até Junho, de cerca de 4% no número de hóspedes e mais de 6% nas dormidas, sendo que esta média resulta de uma queda dos nacionais de cerca de 2,5% e uma subida dos estrangeiros de 8%. Também os proveitos da hotelaria sobem, ainda que apenas 3,7%.

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