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São Miguel Ilha Verde, dos pés à cabeça

A paisagem da ilha açoriana é diversificada e impressionante. Entre vales, lagoas, ilhéus, praias e piscinas de águas quentes, o difícil é parar de fotografar

Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 21 de Agosto de 2013 às 10:58
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"Esta ilha de São Miguel em que, Senhora, estamos é montuosa e regada de ribeiras, e era logo, quando se achou, coberta de arvoredo, graciosa em sua situação e, por ser húmida com as águas das chuvas e ribeiras e quente do sol, criou tantos e tão espessos arvoredos que com sua sombra conservavam nela esta humidade sempre fresca e durável."
Gaspar Frutuoso, Padre e historiador, 1522-1591

 

 

A descrição do século XVI reflecte bem o choque visual que é a chegada a São Miguel, nos Açores. A Ilha Verde faz jus ao nome pela qual também é conhecida, com campos a perder de vista, interrompidos por lagoas, ribeiras e, claro, pintados com o preto e branco das vacas.


Henrique Nascimento, natural de Portimão, decidiu mudar-se para São Miguel em busca de oportunidades de emprego, mas a ilha rapidamente o conquistou. Vive em Ponta Delgada há mais de quatro anos. "Apaixonei-me. Inicialmente a natureza e a beleza da ilha impressionam, assim como a enorme diversidade da paisagem", conta ao Negócios.


Henrique já trabalhou num hotel, foi gerente de um restaurante e, hoje, é guia turístico. "Todos os dias ainda encontro coisas diferentes." Pelo caminho, foi desenvolvendo o prazer de fotografar. "Já gostava de fotografia antes, mas a beleza da ilha levou-me a querer aprender mais."


São Miguel pode ser visitado em modo 'fast-forward', mas a diversidade de paisagem faz por merecer uma semana. Alugar carro é praticamente obrigatório, tal como estar disponível para caminhadas. Não se deixe desencorajar por nuvens, nem se entusiasme com um céu limpo. Dentro de poucos minutos, o tempo pode mudar. O impermeável na mala é indispensável.


Se quiser despachar logo o "postal", comece por ir bem cedo - para evitar a enchente de turistas - à Lagoa das Sete Cidades, onde facilmente encontrará a vista que já conhece de todos os folhetos, para a fotografia da praxe. Embora seja a vista mais emblemática, não é o local mais interessante de São Miguel. Provavelmente nem sequer é a lagoa mais bonita. A Lagoa do Fogo recebe menos publicidade, mas vale mais a pena e tem menos gente. Não se fique pelo miradouro. Desça a a inclinada encosta até lá abaixo.

 

 

"Apaixonei-me. Inicialmente a natureza e a beleza da ilha impressionam, assim como a enorme diversidade da paisagem", conta ao Negócios, Henrique Nascimento, guia turístico.

 


Lagoa do Fogo, no concelho de Vila Franca do Campo, em São Miguel. A lago ocupa uma caldeira vulcânica adormecida, perto do centro da ilha. Toda a zona em redor está repleta de vegetação, onde o verde se destaca. É reserva natural desde 1974.

 


Ainda no capítulo lagoas, as Furnas são outro local normalmente aconselhado, com o famoso cozido feito nas caldeiras naturais debaixo da terra. Para quem não aprecia ou seja vegetariano, pode sempre experimentar milho cozido da mesma forma.


Também nas Furnas, a Poça da Dona Beija - com piscinas de água quente, formadas por nascentes férreas - convidam a passar tardes inteiras nas águas de 38 graus. Principalmente se estiver a chover.

 

 

 

Sítios a não perder


Quando lhe disserem que uma semana é demasiado tempo para visitar São Miguel, não acredite. É que fora desta lista ficaram: a única plantação de chá na Europa; a cascata do Salto do Prego; as águas aquecidas da Ponta da Ferraria; as zonas de praias; a gruta do carvão; outras inúmeras lagoas; e as muito molhadas viagens de barco para ver golfinhos e baleias.

 

 

Ponta da Madrugada Nascer do Sol
O ritual é simples mas exige algum sacrifício. Se estiver alojado em Ponta Delgada, acorde bem cedo - pelas 5h - meta-se no carro até ao Nordeste. Algures na estrada velha EN1, encontrará o Miradouro da Ponta da Madrugada. Se tudo correr bem, deverá chegar a minutos do início do nascer do Sol. Enquanto um dos pontos mais orientais de São Miguel, a vista é magnífica, com o sol a emergir lentamente do mar. Já que está no Nordeste, pode aproveitar para visitar a beleza selvagem dos desfiladeiros. É um dos locais mais bonitos e menos visitados da ilha.

 

 

Ilhéu Mergulhar no meio do mar
O Ilhéu de Vila Franca do Campo está a cerca de um quilómetro da costa sul de São Miguel. Esculpido pela erosão provocada pelo mar num cone vulcânico, o ilhéu, que é também reserva natural, permite a entrada de água do mar no seu centro e dá-lhe a oportunidade de ir a banhos em mar alto, sem perder o pé. Entre Julho e Setembro, há viagens de hora a hora para o ilhéu, transportando 30 passageiros de cada vez. Fãs de mergulho são presença habitual. Durante o Verão, existem nadadores salvadores de vigia.

 

 

Vale das Lombadas Longa caminhada
Não é presença regular em todos os roteiros, mas vale a pena visitar, se estiver disposto a uma longa caminhada pelo meio da vegetação, saltar riachos e dar algumas quedas embaraçosas. Trata-se de um vale profundo, atravessado por várias ribeiras, onde se encontra a nascente de água mineral das Lombadas. Deixe-se perder (não literalmente) num percurso que parte da Ribeira Grande e ao longo do qual terá oportunidade de observar vistas magníficas de mar e terra.

 

 

Furnas Lagoas, piscinas e cozido
É provavelmente o maior concentrado de locais para visitar em São Miguel. A Lagoa das Furnas acolhe as caldeiras naturais onde é feito o famoso cozido e, a quase 600 metros de altura, o miradouro do Pico do Ferro dá-lhe uma vista privilegiada sobre a cratera vulcânica do vale, bem como de toda a área montanhosa em redor. A poucos minutos de carro, dois locais com piscinas aquecidas devido a nascentes férreas são também de passagem obrigatória: Poça da Dona Beija e Hotel Terra Nostra.

 

 

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