Adolfo Mesquita Nunes
Adolfo Mesquita Nunes 20 de agosto de 2018 às 19:40

Comunismo, nazismo e fascismo: tudo a mesma fruta

Nenhuma experiência comunista resultou noutra coisa que não em regimes assassinos, torcionários, ditatoriais, condenando milhões à fome e à miséria. Foi sempre esse o resultado das experiências comunistas.

Uma laranja é diferente de uma pera e esta é diferente de uma maçã. E se a ninguém ocorre confundi-las, de tão diferentes que são, também a ninguém ocorre procurá-las em corredores distintos do supermercado: estão na mesma secção, na frutaria, porque por mais diferentes que sejam todas partilham da mesma condição de fruta.

 

O mesmo se passa com o comunismo, o fascismo e o nazismo. São ideologias distintas, cada uma com as suas inspirações e referências - e por isso não confundíveis, mas todas partilhando da mesma identidade autoritária e totalitária, estando por isso arrumadas na secção das ideologias que deram origem a regimes ditatoriais, assassinos, torcionários.

 

Sempre que alguém expõe esta ideia, há quem se apresse a elencar as diferenças entre estas ideologias, como que impedindo a possibilidade de uma equivalência. Sucede que não está em causa, pelo menos para mim não está, que essas diferenças existam, sendo algumas significativas.

 

O que está em causa, e não pode ser esquecido, é que o resultado das três ideologias partilha o mesmo destino: ditadura, censura, prisões políticas, perseguições, milhões de mortes, fome, miséria. E nem vale a pena contar o número de mortos, porque as três, com o comunismo à cabeça, não têm nada de bom para apresentar. Nenhuma das três ideologias pode merecer de um defensor da liberdade qualquer contemplação. Uma hesitação a este respeito é inaceitável.

 

Em defesa do comunismo, há quem diga que, na sua génese, no seu espírito, este nada tem que obrigue aos resultados a que vimos assistindo. Discordo dessa ideia, mas rebatê-la seria um outro artigo. Agora diria o seguinte: essa defesa vale de pouco quando temos como certo que nenhuma experiência comunista resultou noutra coisa que não em regimes assassinos, torcionários, ditatoriais, condenando milhões à fome e à miséria. Foi sempre esse o resultado das experiências comunistas. Repito: sempre. É preciso ter ousadia para argumentar que as ideias comunistas não têm qualquer propósito nesse sentido.

 

Não será assim, dizem-me, com os comunistas portugueses, que estão no Parlamento e nas autarquias, participando da democracia, longe por isso de partilhar deste destino trágico. Quem diz isso nunca leu o Avante e desconhece o PCP. Os comunistas portugueses não se demarcaram até hoje dos milhões de crimes cometidos pelos regimes que apoiam. Mais, estão hoje, em pleno século XXI, na linha da frente da defesa ativa, nem sequer tímida ou envergonhada, de regimes assassinos. Nenhum partido português - desconfio que nem mesmo o Bloco de Esquerda - conseguiria durar um ano que fosse a promover regimes assassinos nos seus congressos, festas e órgãos oficiais como faz o PCP. Mas o PCP pode, e ainda aparece a dar lições de democracia. Peço imensa desculpa, mas enquanto não houver essa demarcação, honesta, séria, nada me leva a suspeitar que os comunistas portugueses se comportariam de forma diferente se alguma vez chegassem ao poder, e por isso não aceito qualquer lição de democracia vinda daqueles lados.

 

Vem isto a propósito do convite a Marine Le Pen para vir perorar no Web Summit. Considero Le Pen uma impostora, e tudo me afasta dela, da sua visão fechada do mundo, da sua amizade com ditaduras, da sua xenofobia. Esse meu afastamento é epidérmico, porque me afasto de tudo o que relativize ou mitigue a liberdade e nos embrulhe em coletivismos. Sucede que vários dos que à esquerda também apareceram a criticá-la, merecendo imensos aplausos, andam de braço dado com ditaduras, defendem exatamente as mesmas políticas económicas e isolacionistas que ela ou andam entretidos a arranjar desculpas para as atrocidades cometidas por regimes de extrema-esquerda. Dessa gente não vem nada de bom. Mesmo quando estão contra uma impostora como ela.   

 

Advogado

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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