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António Moita - Jurista 18 de Março de 2018 às 19:20

A verdadeira ambição de Cristas. Liderar em 2023

Os objetivos foram claramente traçados. O CDS quer liderar o centro e a direita em Portugal. O problema é quando. Talvez 2019 seja cedo demais.

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Com o PS "encostado" ao Bloco e ao PCP é natural que PSD e CDS passem a ser "a direita". Sociologicamente até não deveremos andar longe da verdade. A larga maioria dos militantes sociais-democratas consideram-se, paradoxalmente, de direita.

 

Deveríamos assim hoje ter a esquerda a apoiar o Governo e a direita a fazer oposição. Deveríamos, mas não temos. O Congresso da parte maior da direita (o PSD) veio dizer-nos que é preciso falar com a esquerda para estabelecer acordos de regime duradouros. Pode até ser verdade que sejam necessários. Mas politicamente são difíceis de obter e, mais grave, são impossíveis de digerir por parte do eleitorado que se foi radicalizando.

 

Já noutro Congresso, o da parte mais pequena da direita, se assumiu frontalmente a rutura com os partidos, as políticas e os políticos das "esquerdas encostadas". Quando "quem não está por nós está contra nós", não há espaço para mais do que dois blocos. Tudo o que fique em zona cinzenta terá dificuldade em se explicar e em sobreviver. O caminho suave de Rui Rio tem muito menos hipóteses de sucesso que o raide musculado proposto por Assunção Cristas. Porque a esquerda e a direita têm na sua génese o confronto. E gostam de o praticar.

 

O PSD é um partido que tem raízes profundas na sociedade portuguesa, que são mesmo anteriores ao tempo da democracia. Nem a evolução do tempo, as muitas desilusões ou a permanente guerrilha interna farão os "laranjinhas" desistir facilmente do combate pela conquista do poder.

 

Assunção Cristas tem condições para conquistar terreno a cada eleição. As Europeias serão o primeiro e decisivo teste. Se crescer bastante terá condições para encarar o desafio das legislativas de 2019 com maior confiança. Numas eleições que serão certamente ganhas pelo PS, caberá ao CDS encurtar distâncias para o PSD. Quanto mais perto conseguir chegar, melhor. Depois será continuar o caminho do crescimento e dar a mão aos eleitores de um PSD em previsível desintegração.

 

Será no ciclo político 2019/2023 que Assunção Cristas terá oportunidade de se assumir verdadeiramente como líder do centro e da direita e candidata a chefe de governo. Até lá, o futuro terá de esperar…

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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