António Moita
António Moita 20 de janeiro de 2019 às 17:53

Andámos nós a desejar Bom Ano a toda a gente

Sabendo que a economia é global e que a portuguesa é extremamente vulnerável a qualquer corrente de ar que sopre do exterior, é momento de ser prudente. As perspetivas para 2019 são cinzentas.

Neste início de ano, como em qualquer outro aliás, fazemos votos de sucesso pessoal e profissional para os que nos são mais próximos, mas não deixamos de estender a intenção a todos quantos vamos encontrando por aí. É saudável que ainda seja mesmo que, no fundo, tenhamos a consciência de que os nossos desejos dificilmente terão concretização.

 

Depois de um ano em que, na versão governamental, tudo parece ter corrido melhor do que o esperado, entramos em 2019 com um ambiente a que já não estávamos habituados. Depressivo ainda não é. Mas de receio é com toda a certeza. E não é para menos.

 

No plano económico as crises internacionais anunciadas são diversas e todas com um potencial de destruição enorme. A guerra comercial desencadeada por Trump, as represálias chinesas, a incerteza sobre o Brexit, o arrefecimento da economia alemã, a subida iminente das taxas de juro na Europa e o fim das medidas de estímulo à economia do BCE, a volatilidade das bolsas mundiais, entre tantos outros, são motivos de extrema preocupação.

 

No plano político o quadro não é menos sombrio. A instabilidade governativa e social vivida em importantes países europeus como a França, a Itália, a Alemanha ou a própria Espanha, a nunca resolvida crise das migrações, as eleições para o Parlamento Europeu em que se adivinha o reforço da representação das forças extremistas e populistas a ponto de condicionarem a evolução do projeto europeu, são também sinais de alarme.

 

Sabendo que a economia é global e que a portuguesa é extremamente vulnerável a qualquer corrente de ar que sopre do exterior, é momento de ser prudente. As perspetivas para 2019 são cinzentas e os dados que se vão conhecendo começam a revelar as pedras que iremos encontrar no caminho. Apesar dos constantes sorrisos de Centeno, revelando talvez algum nervosismo, a verdade é que tanto António Costa como Siza Vieira não se cansam de ir deixando avisos à navegação. Fazem bem.

 

O que não se compreende é que, ao mesmo tempo, continuem as negociações com todos os grupos organizados que aparecem. Ele é professores, enfermeiros, farmacêuticos, estivadores, funcionários judiciais, juízes, magistrados do Ministério Público, guardas prisionais, polícias e agora até bombeiros profissionais. Todos com o apoio incondicional dos principais suportes do Governo. Ou anda meio mundo a enganar o outro meio ou tudo isto vai significar mais e mais despesa pública, ou seja, mais dívida ou mais impostos.

 

Jurista

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