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António Moita 06 de Maio de 2019 às 19:19

As lições do Tonecas

António Costa conseguiu, de uma só vez e aproveitando um acontecimento imprevisto, recuperar a força e a energia que claramente lhe estavam a faltar nos últimos meses.

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José de Oliveira Cosme teria tido nesta última semana oportunidade de acrescentar alguns episódios ao velho folhetim radiofónico "As Lições do Tonecas". Paradoxalmente, desta vez o papel de professor coube a António Costa. Como na série, o professor António Costa preparou uma aula a pensar nas crianças e nos adultos e foi para todos eles que falou na sua comunicação ao país da passada 6.ª feira.

 

Às crianças, Assunção Cristas e Rui Rio, deu um castigo exemplar. Evidenciou as contradições insanáveis em que caíram e colocou-os entre a espada e a parede. Ou mudavam de posição rapidamente ou os levaria a terem de se expor perante o eleitorado mais cedo do que o esperado. E o resultado, para as crianças, seria reprovação garantida. Aos adultos fez um discurso diferente. Explicou-lhes as consequências de entregarem a crianças a condução do seu destino. Lembrou-lhes que o governo da casa de cada um deve caber a quem é responsável, a quem no final de cada mês tem a obrigação de pagar as contas, a quem, com o seu exemplo, prepara o futuro dos seus filhos.

 

António Costa conseguiu, de uma só vez e aproveitando um acontecimento imprevisto, recuperar a força e a energia que claramente lhe estavam a faltar nos últimos meses. Demonstrou autoridade, aparentou desapego ao poder, definiu o interesse nacional como sua única prioridade, estabeleceu o critério das "contas certas" como maior fator de credibilização externa do país, mostrou aos eleitores contribuintes que com ele as medidas extravagantes e despesistas propostas pelos parceiros da geringonça não farão caminho, ocupou sozinho o espaço mediático que normalmente é obrigado a partilhar com o Presidente da República. Tudo isto poderá ser apenas resultado de uma encenação. Mas fazer política também é aproveitar o palco, fazer espetáculo e, se o público gostar, receber os aplausos.

 

Como se isto já não fosse pouco, acrescentou novo alento às apáticas tropas socialistas no combate das europeias e deixou a falar sozinho Mário Nogueira e todos os sindicalistas que a partir daqui iriam reivindicar iguais regalias.

 

Parece, no entanto, evidente que, ao contrário do que António Costa quereria, a lição ainda não acabou. E que, tal como no folhetim, o menino Tonecas aproveitará sempre para fazer uma gracinha e tentar desesperar o professor. A ver vamos se Assunção Cristas e Rui Rio, de preferência concertados, conseguem consertar o problema que criaram, se bloquistas e comunistas não vão tornar a vida cada vez mais difícil a um Governo que está apenas a contar os dias que faltam para as eleições legislativas, se os sindicatos cada vez mais agastados com um governo que lhes prometeu muito e cumpriu pouco irão provocar ainda mais instabilidade na vida das pessoas seja nas escolas, nos transportes ou nos hospitais. Mas isso ficará para contar nos próximos episódios. Num país em que os políticos nunca mais aprendem que com coisas sérias não se brinca.

 

Jurista

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