António Moita
António Moita 02 de julho de 2018 às 19:02

Mais partidos para quê? Já temos clubes de futebol 

Pedro Santana Lopes veio mais uma vez abrir a possibilidade de criação de um novo partido político. Não se percebe bem se está a falar a sério ou se é apenas para chatear o PSD.

Ainda assim, com as transformações que se operaram pela Europa nos últimos anos ao nível da representação política nunca será tempo perdido olhar para o problema.

 

No passado, os partidos políticos nasceram em torno das famílias políticas tradicionais. Nos últimos anos, começaram a aparecer e muitas vezes a desaparecer em função de interesses conjunturais mais ou menos abrangentes de natureza política, económica, social, ambiental ou mesmo de costumes.

 

Em Portugal, à exceção das forças tradicionais, do PRD de Eanes e mais recentemente do PAN, nenhum outro partido ou movimento logrou obter representação parlamentar.

 

Os partidos portugueses, todos eles excessivamente conservadores, revelam enorme dificuldade de se abrir à sociedade e, em especial, de permitir a adesão de quem não esteja integrado, por desconhecimento ou por maneira de ser, em correntes internas de conquista ou manutenção de poder. É o poder do aparelho que se sobrepõe normalmente a qualquer forma positiva ou diferente de afirmação individual.

 

Este facto tem afastado da vida política muitos daqueles que dela não pretendem outra coisa que não a participação cívica. É nas classes etárias mais jovens que isto se sente mais, mas é igualmente visível que também as classes profissionalmente mais ativas mostram uma evidente falta de sintonia com a militância partidária.

 

Curiosamente o que parece encantar e entreter os mais disponíveis são os clubes de futebol. A avaliar pelo que tem acontecido no Sporting, não parece existir nem falta de interesse, nem falta de vontade em "dar o corpo ao manifesto". A quantidade de grupos que se organizam, a diversidade de opiniões que vão sendo expressas diariamente nas televisões e nos jornais, a quantidade de candidatos que nos aparecem e que se propõem assumir uma tarefa certamente pesada numa realidade que desconhecem quase completamente, evidencia irreverência, por vezes a roçar a irresponsabilidade, e vontade de prestar serviços a uma comunidade com a qual revelam enorme afinidade. Soubéssemos nós canalizar esta energia para aquilo que é de todos e teríamos um Portugal diferente.  

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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