Na emergência ganha a burocracia
Enquanto não existir coragem para reformar profundamente procedimentos, eliminar redundâncias burocráticas e criar uma cultura de serviço orientada para resultados concretos, Portugal continuará a repetir o mesmo calvário.
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Não há semana em que não sejamos confrontados com atrasos no apoio a quem mais precisa. Seja por causa das tempestades, dos incêndios ou até na entrega de fundos de programas de desenvolvimento económico e social. Portugal é, definitivamente, um país solidário nas palavras e lento nos atos. Sempre que uma tragédia natural atinge comunidades, multiplicam-se as visitas oficiais, as promessas de reconstrução, os anúncios de linhas de apoio e os discursos sobre a necessidade de “não deixar ninguém para trás”. Mas depois de as câmaras de televisão se afastarem e a espuma mediática desaparecer, sobra demasiadas vezes a realidade dura de milhares de pessoas e empresas entregues a si próprias, à espera de respostas que tardam ou nunca chegam. O padrão nacional vai-se repetindo uma e outra vez. Os prejuízos são imediatos, mas o auxílio demora meses ou até anos.
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