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António Moita 20 de Setembro de 2020 às 16:36

Produzir mais, melhor e diferente 

A crise mundial que atravessamos e as dificuldades especiais de Portugal em fazer face aos desafios que tem pela frente resultantes da dívida que contraiu, da dependência das exportações e em especial do turismo, da rigidez cada vez mais acentuada da despesa pública e dos problemas de baixa produtividade das empresas obrigam-nos todos a uma profunda reflexão sobre os passos a dar nesta fase de reinvenção dos caminhos do futuro.

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Foi o que o Governo fez ao pedir uma "visão estratégica" a António Costa Silva e é o que todos teremos de fazer na organização das nossas vidas pessoais e profissionais.

 

É verdade que o pacote financeiro que a Europa disponibilizou virá em nosso auxílio e sem ele o nosso futuro estaria irremediavelmente comprometido. Mas também é verdade que essa injeção de dinheiro será igualmente feita em todos os países da Europa comunitária, o que nos retirará vantagem competitiva. Para nos aproximarmos dos padrões médios da União Europeia e resolver os nossos problemas estruturais teremos de ter resultados muito melhores que os outros. Aqui reside a grande dificuldade e o maior desafio. Fazer tão bem ou crescer tanto como os outros não será suficiente porque nos irá afastar ainda mais da média europeia.

 

Não temos muito tempo para discussões estéreis ou elaborações teóricas muito sofisticadas sobre o caminho a trilhar. Teremos de continuar a apoiar setores tradicionais e reforçar a sua competitividade como é o caso dos têxteis, do calçado e da indústria ligada ao automóvel ou, como agora se diz, à mobilidade. Deveremos não deixar cair o setor do turismo que tem enorme atratividade e revelou um dinamismo extraordinário nos últimos anos. Impõe-se apoiar a agricultura não apenas nos produtos tradicionais como o azeite, a cortiça, o tomate ou o vinho, mas também numa fileira de novas produções que, embora de escala relativamente reduzida, demonstram ter grande aceitação em mercados bem identificados e têm em Portugal excelentes condições para se desenvolver. Aqui estaremos também a contribuir de forma significativa para o repovoamento de zonas abandonadas, especialmente no interior, com tudo o que isso significa para a melhoria e para a sustentabilidade das condições de vida das pessoas. Teremos de ser capazes de continuar a atrair conhecimento em setores como as tecnologias de informação ou da energia, ou na investigação e na inovação por exemplo na área das ciências da vida, ou ainda como tenho visto defendido na criação de um "cluster" de referência na saúde. O Estado terá de ser alavanca nesta "revolução", garantir condições ao nível das infraestruturas onde a ideia da ferrovia é seguramente uma boa aposta, reduzir drasticamente a burocracia e os chamados "custos de contexto" das empresas, flexibilizar as relações laborais e discriminar positivamente ao nível fiscal os que mais produzem, mais investem e mais retorno dão à economia nacional.

 

Não é tempo de exigir mais direitos. O seu reforço será sempre uma consequência do crescimento económico e não uma condição para o conseguir. É tempo de perceber que todos temos deveres a cumprir. A chave da equação está no acerto das apostas que o país fará e na nossa capacidade de aumentar muito a produtividade. Produzir mais, com melhor qualidade e apostar na diferenciação face aos nossos parceiros europeus é condição da nossa sobrevivência e do nosso sucesso enquanto comunidade. Assim os portugueses percebam e aceitem o desafio e o Estado não estrague tudo. Penso que António Costa sabe tudo isto. E por isso também sabe que os principais pilares que irão suportar a construção deste edifício serão Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio e, a seu lado, Pedro Siza Vieira. Haja coragem, determinação e sentido de Estado e o progresso chegará. Tudo o resto é folclore partidário, fantasia e entretenimento de que neste momento, francamente, muito poucos necessitam.

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