António Moita
António Moita 23 de setembro de 2018 às 19:20

Sport sem TV 

Na passada semana fomos confrontados com uma realidade que já tínhamos todos esquecido. Querer ver um jogo de futebol e não saber nem onde nem como.

Aquilo que há décadas era normal, quem quisesse assistir a um jogo de futebol tinha de se deslocar ao estádio, voltou agora a acontecer. Teremos regredido ou, pelo contrário, estaremos a avançar para um novo paradigma na disponibilização da informação e dos conteúdos desportivos?

 

O advento da Eleven Sports, a criação pela Federação Portuguesa de Futebol do canal 11 (a utilização do mesmo número será apenas uma coincidência?), a negociação dos direitos televisivos centralizada na Liga de Clubes entre outras novidades, parece estar a revolucionar por completo o mercado das transmissões desportivas. Algumas consequências são já evidentes. Novos "players" estão a conquistar o espaço dos mais antigos e nem todos vão resistir. O acesso ao mercado através de plataformas digitais vem limitar enormemente a capacidade de manter monopólios ou estruturas concorrentes apenas na aparência. Os "artistas", leia-se os clubes, procuram organizar-se e lutam pela sobrevivência tentando que não se acentue ainda mais o fosso entre os maiores que tudo podem e os mais pequenos que tudo têm de aceitar. E o consumidor, ou no caso o adepto, fica a saber uma coisa. Seja qual for a solução que vier a ser encontrada, serão certamente os assinantes destas novas plataformas de venda de conteúdos que vão pagar a revolução. E não ficará barato.

 

E por falar em custos para os assinantes o que dizer da atitude "tipo avestruz" da Sport TV. Depois de perder os direitos de transmissão de diversas competições de grande audiência (como a Champions ou a Liga espanhola), e que garantidamente terão estado na base da decisão de subscrição dos espetadores, eis que nos querem convencer de que o produto de substituição (se é que isso é possível) é de idêntica qualidade. Pois esta temeridade vai-lhe custar bem caro. Tratar os consumidores como se estes não tomassem decisões racionais e adotar a política do "assobiar para o lado" a ver se o povo não dá por isso são a pior forma de gerir uma crise.

 

A Sport TV tem dois caminhos. Ou reformula por completo a sua estratégia comercial e adapta as condições à sua oferta atual ou, temo bem, os custos reputacionais em que já está a incorrer serão de tal forma elevados que chegará rapidamente à irrelevância no campeonato das audiências.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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