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Armando Esteves Pereira 19 de Novembro de 2020 às 19:33

A fadiga das crises

O pior da crise sanitária ainda não passou, mas já se nota a fadiga da sociedade perante a pandemia, enquanto os danos da crise económica estão a deixar prejuízos que podem ser irreversíveis no tecido produtivo. Ninguém vai conseguir salvar este Natal.

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A segunda vaga da pandemia atacou mais forte e mais cedo do que o previsto pelas autoridades sanitárias. Os números são preocupantes e os hospitais do Serviço Nacional de Saúde já estão a rebentar pelas costuras.

 

Com tão grande nível de desespero em meados de novembro, teme-se o pior nas próximas semanas. O frio vai aumentar o risco e a época da gripe ainda não começou. Dado o nível de resposta dos serviços de saúde, é caso para temer o pior.

 

Oito meses depois do início da pandemia, não são só os serviços de saúde pressionados. As pessoas estão fatigadas, a economia depauperada e nem o dinheiro do apoio público cobre parte relevante dos prejuízos. O caso do apoio prometido aos restaurantes castigados pelo encerramento ao fim de semana mostra como o Estado já não consegue sequer dar uma compensação digna. 20 por cento dos prejuízos de uma média que incluiu as semanas de confinamento chega a ser uma esmola para os proprietários que este mês têm os subsídios de Natal para pagar aos seus funcionários, além das normais contas para pagar.

 

Mas não são só os restaurantes e o comércio afetados pelas medidas de combate à pandemia. Toda a economia sofre um choque em cadeia. A resiliência demonstrada nos meses anteriores está a enfraquecer. A partir de outubro nota-se um agravamento das expectativas económicas.

 

Há alguns sinais de esperança no horizonte com o anúncio das vacinas. Mas mesmo que comece a distribuição em janeiro o impacto não impedirá a continuação da calamidade até à primavera.

 

O Natal como o que estávamos habituados a conhecer não vai acontecer este ano. Com algum otimismo podemos esperar uma Páscoa que nos devolva a normalidade perdida e permita finalmente a retoma. Mas sobre essa desejada recuperação permanecem muitas dúvidas no horizonte: o braço de ferro com a Hungria e a Polónia devido à cláusula de respeito nos direitos humanos na distribuição de fundos comunitários está a atrasar a "bazuca" que é indispensável para recuperar o tecido económico e social danificado por esta peste importada da China.

 

Saldo positivo: decisão da CMVM

 

A decisão de obrigar a empresa de Mário Ferreira a uma OPA sobre a Media Capital após ter apurado que houve concertação do empresário dos cruzeiros com a Prisa é correta e mostra que a autoridade bolsista está atenta. É fundamental defender a transparência do mercado e os interesses de todos os investidores. 

 

Saldo negativo: vetos de Leste

No espírito dos fundadores da comunidade europeia, atual UE, a Europa saída de duas guerras no século XX devia ser um espaço de democracia, liberdade e tolerância. O alargamento aos países que na Guerra Fria estavam do lado de lá da cortina de ferro pretendia reforçar esses princípios em todo o continente. Mas a leste, que passou por uma trágica ocupação nazi a que se seguiu a ocupação soviética, os princípios de liberdade, tolerância e respeito dos direitos humanos não são entendidos da mesma forma. Contudo, a Europa não pode ceder à chantagem de eventuais vetos e abdicar de princípios basilares. 

 

Algo completamente diferente: terror islâmico em Moçambique ignorado

 

No Norte de Moçambique, há relatos de terríveis massacres da responsabilidade de terroristas islâmicos. O Estado moçambicano não é capaz de eliminar essa ameaça e precisa de ajuda. Choca a timidez da resposta internacional perante dezenas de pessoas decapitadas e dezenas de milhares de refugiados. Portugal e a CPLP deviam assumir o papel que lhes cabe e defender a integridade e a segurança deste país da costa oriental africana.

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