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Armando Esteves Pereira 21 de Agosto de 2020 às 11:00

A ressaca antes da retoma

Há indícios que apontam para o facto de o pior da hibernação da economia já ter passado. Mas os efeitos sociais da crise vão ser ainda mais notados nos próximos meses, como o encerramento de empresas e o desemprego galopante. O caminho para a recuperação económica vai ser doloroso.

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Após o apagão em meados de março, a economia tenta retomar lentamente a normalidade possível, mas o grau de estragos é tão grande que o mundo depois da pandemia será necessariamente diferente. A crise do vírus não é um simples intervalo que interrompe a atividade económica, vai provocar mudanças profundas. E antes da retoma, provavelmente vamos assistir a uma grande ressaca.

 

Vão surgindo alguns dados que apontam para alguns sinais de esperança. Esta semana, o INE divulgou informação que indicia uma redução "menos intensa" da atividade económica em julho. O indicador de clima económico aumentou entre maio e julho e os indicadores de confiança subiram em todos os setores de atividade. "Por componentes, na ótica da despesa, o indicador quantitativo de consumo privado apresentou em junho uma diminuição homóloga menos intensa que a verificada em maio, após ter atingido em abril o mínimo da série", esclarece o INE, tal como o indicador de investimento registou em junho uma redução homóloga menos acentuada do que a observada no mês precedente. "Os indicadores de confiança aumentaram em todos os setores de atividade, de forma mais expressiva na indústria transformadora", adianta o instituto de estatística.

 

Mas apesar destes bons indicadores, ainda teremos de trilhar um duro caminho de pedras antes de chegarmos à autoestrada da retoma. A subida de desempregados inscritos já revela um sinal de preocupação. Mas a situação real ainda é mais dramática, como se pode ver já na análise mais fina das estatísticas.

 

O inferno vai chegar brevemente à medida que forem terminando as redes de salvaguarda para manutenção do emprego. Por muitos subsídios que haja, há empresas que simplesmente não vão sobreviver à crise da pandemia.

 

Tradicionalmente o desemprego aumenta sempre no fim do verão, quando acabam os empregos sazonais no turismo e quando tentam entrar no mercado de trabalho dezenas de milhares de jovens, recém-formados, ou que simplesmente terminaram o percurso.

 

Vão ser meses muito duros. Sem a solução da crise sanitária é impossível haver retoma. E nem os milhões prometidos da Europa, que tardam a chegar, vão ser suficientes para aliviar a ressaca.

 

Saldo positivo: Tim Cook

 

A Apple fez história ao ser a primeira empresa americana a valer em bolsa mais de dois biliões de dólares. Um valor astronómico que é quase 10 vezes o PIB anual gerado em Portugal e significa mais do que a capitalização total de todas as empresas cotadas na bolsa de Paris. Nos últimos dois anos a empresa tecnológica valorizou 1 bilião de dólares. Tim Cook acrescentou valor à herança de Steve Jobs. 

 

Saldo negativo: ministra do Trabalho e Segurança Social

 

Na entrevista ao Expresso, a ministra do Trabalho e da Segurança Social fez um conjunto de declarações que puseram em causa a sua competência para exercer o cargo. Mas António Costa segurou Ana Mendes Godinho. Num país mais exigente e após conhecidos os relatos da tragédia no lar de Reguengos de Monsaraz, a ministra que tutela o setor não teria condições para permanecer no Executivo.

Algo completamente diferente: o triste mês de agosto sem festas nem romarias

 

Que estranho agosto, sem festas nem romarias. As vilas e as aldeias do interior, de norte a sul do país, que neste mês ganhavam vida com o regresso dos emigrantes e com as festas de arromba, permaneceram vazias. A pandemia provocou uma mudança abrupta de hábitos e tradições e atingiu a alma das comunidades. Milhares de empregos e negócios que viviam desta dinâmica estival ficaram suspensos. Oxalá no próximo ano, seja possível viver de novo esse mítico lindo mês de agosto.

 

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