Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 27 de maio de 2016 às 00:01

A D. Branca da Segurança Social

Quase todos os estudos apontam 2030 como a linha do rubicão do actual sistema de Previdência. Um ponto de não retorno, a partir do qual a segurança social não vai conseguir cumprir as suas obrigações.

Mas 2030 não fica muito distante. 13 anos e seis meses, o que significa que mesmo quem hoje tem 70 anos e está na reforma será atingido por este risco de colapso.

 

E mesmo que nessa data haja um tribunal a tentar proteger os direitos garantidos, a probabilidade de um Estado endividado com pouca população jovem e com a pirâmide etária completamente invertida, cumprir as obrigações e ressarcir os contribuintes que durante décadas descontaram uma parte do salário, será muito baixa. Tragicamente a expressão "não há dinheiro" ainda vai fazer doutrina neste País.

 

Todos sabemos que isso vai acontecer, seja em 2030, ou em 2035, ou poucos anos mais tarde. É inexorável, o que significa que actualmente há milhões de portugueses que estão a ser vítimas de um gigantesco esquema de D. Branca. Pagam 11% do salário, acrescido da contribuição de 23,75% da entidade patronal, o que representa mais de um terço do salário bruto para um sistema que não vai garantir a retribuição desse dinheiro. Estes contribuintes estão a ser vítimas de um golpe de políticos que só pensam no dia-a-dia e empurram os problemas com a barriga, pois sabem que quando o sistema colapsar já não serão os responsáveis de turno. Por exemplo um cidadão que hoje tem 45 anos e 20 de descontos e se tiver um salário médio já investiu largas dezenas de milhares de euros no sistema e se tiver tido sorte com os empregos já descontou algumas centenas de milhares. Este cidadão ainda terá pela frente mais 22 anos (pelo menos) de contribuição. Quando chegar o momento da reforma, quem é que vai responsabilizar pelo golpe de que foi vítima?

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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