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E a retoma fica mais distante

O confinamento é um passo atrás no caminho para a desejada retoma. A festa do início da vacinação coincide com a propagação violenta do vírus, ajudada pelo convívio das festas natalícias e de Ano Novo. Antes de a economia melhorar, vai piorar muito.

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Despedido o ano de 2020, de má memória para a maioria das pessoas e das empresas, eis que surge um novo ano e com ele números ainda mais aterradores sobre a propagação da pandemia. As liberdades do Natal conduziram a um aumento de casos a um ritmo quase geométrico e o número de mortos com covid-19 bate recordes aterradores.

 

A vacinação avança a um ritmo demasiado lento para travar a peste. Com o novo confinamento geral, os pequenos negócios que fazem muito pela atividade da economia real deste país voltam a parar. Muitos deles vão encerrar definitivamente, porque já não conseguirão recuperar de novo abalo.

 

O país volta a depender da mão cada vez mais visível do Estado. Dos subsídios ao pagamento de salários, a rede de apoios públicos mitiga parte dos prejuízos e dos dramas sociais.

 

Mas viver da esmola do Estado não é grande vida para quem tinha negócios prósperos que a pandemia e as regras de combate à peste destruíram.

 

Com o novo confinamento vai-se chegar a um ano de paragem da economia. Muitas empresas e negócios que resistiram à primeira e segunda vagas com poupanças acumuladas não sabem em que estado sairão desta terceira vaga. Quem acreditou no fim de 2020 que o pior já tinha passado e esperava que a vacinação, vendida na propaganda, com pompa e circunstância, permitisse finalmente o desabrochar da retoma, acaba por enfrentar um novo pesadelo. 

 

Além da vacinação que este ano pode travar o avanço da peste, a economia também mantém a esperança nos fundos comunitários que tardam em chegar. O horizonte distante até pode parecer promissor, mas agora há que sobreviver e não morrer na praia. Mas todos já percebemos que isto vai piorar antes de ficar melhor. 

 

Saldo positivo: juros negativos a dez anos

Portugal conseguiu esta semana mais um marco histórico na emissão de dívida ao colocar obrigações do Tesouro a 10 anos com juros negativos. O país que há uma década pagava juros  absurdos tem agora uma folga importante. O registo histórico é mais mérito da política generosa do Banco Central Europeu do que da trajetória da dívida portuguesa, que vai disparar com os custos da pandemia. 

 

Saldo negativo: ataque ao Estado de Direito

Duas magistradas do DIAP de Lisboa mandaram a PSP espiar jornalistas e devassaram as contas bancárias sem justificação, num claro abuso de lei. A decisão destas procuradoras é digna da PIDE de má memória e não de um Estado de direito democrático. O Ministério Público tem de se preocupar na formação dos seus magistrados em direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. É fundamental que o conselho que rege a disciplina do MP atue para que a justiça não fique manchada com este episódio. 

 

Algo completamente diferente: os estranhos critérios do confinamento

 

Obviamente o patamar de casos diários registados, o número impressionante de mortos e o caos nos serviços de saúde tinham de conduzir a medidas restritivas de circulação de pessoas e a um confinamento. Mas a lógica dos critérios nem sempre é clara. Pode-se cuidar da alma e ir a cerimónias religiosas, mas não se pode cuidar do corpo e ir a um ginásio com todos os cuidados. Não se pode ir a um cabeleireiro, nem comer em restaurantes, mas os alunos vão poder comer em ajuntamentos nas escolas.

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