Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 03 de novembro de 2016 às 19:20

Lições muito caras

Dizem que de boas intenções está o inferno cheio. E quando um Governo se envolve em negócios privados, mesmo com o objectivo mais altruísta, o resultado costuma ser ruinoso.

Infelizmente abundam exemplos destas intervenções desastradas, que custam caro à economia e aos contribuintes. A lição mais cara é o casamento forçado que levou à fusão da PT com a Oi e que provocou a destruição de uma grande. Na autópsia do descalabro do império Espírito Santo não faltam exemplos de concubinato perigoso entre o grupo de Ricardo Espírito Santo e o poder político.

 

José Sócrates, que até chegar ao poder nem era aliado de Ricardo Salgado, acabou por fazer uma parceria informal com o patrão do então maior grupo financeiro privado. Os custos totais desta associação ainda estão por apurar e as facturas vão chegar nos próximos anos. Algumas destas decisões estão sob investigação da Operação Marquês, pois há a suspeita de algumas decisões, como a fusão forçada da PT com a Oi terem sido alavancadas por subornos pornográficos aos decisores políticos.

 

José Sócrates que terá descoberto Max Weber nos anos 80, se leu a obra deste autor fundamental, aplicou uma versão distorcida do espírito capitalista. Outro icebergue que exemplifica o desastre titânico da condução de negócios privados é o crédito à La Seda. Nos empréstimos da Caixa, da AICEP e de outros bancos portugueses houve o impulso político de Sócrates e do seu ministro da Economia, Manuel Pinho. São muitos milhões enterrados num elefante catalão que investiu no complexo petroquímico de Sines.

 

Os contribuintes e os accionistas dos bancos vão pagar. Os políticos só respondem por eventuais ilícitos criminais provados, enquanto uma amnésia de irresponsabilidade amnistia as decisões dos gestores que atribuíram os créditos ruinosos. É mais uma lição cara, mas irá este país aprender alguma coisa?

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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