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Bagão Félix 25 de Dezembro de 2012 às 23:30

Banalidades e excessos

A troika, e em particular o FMI, fala dia sim dia não, dá conferências, participa em debates, opinando e decretando sobre quase tudo, às vezes de uma maneira dúbia.

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A vida política está infestada com a "linguagem correcta". E, agora, também invadida por banalidades transformadas em grandes ideias.

 

Um dia, é a descoberta de que "o crescimento é essencial". Num outro, que "é preciso reindustrializar a economia". Ou, ainda, que urge "aumentar a poupança". Estas frases e outras politicamente tautológicas são manchetes e abrem noticiários. Como se fossem descobertas de génios. Tal qual como por essa Europa fora, escondem a falta de ideias e estratégia e são uma forma oca de "entreter o pagode". Comentadores há que, à volta de tais trivialidades, tecem louvaminhas como se tivesse sido descoberta a pólvora.

 

Há até debates curiosos sobre certas ideias. Um exemplo: há semanas, o ministro da Economia lançou a ideia de um IRC mais baixo para … novos investimentos. A ideia de um IRC mais competitivo é boa, mas bem velha. O que importa é como concretizá-la. Pois não é que logo surgiram cabeças a falar sobre o assunto, esquecendo ou ignorando que afinal não há IRC por investimentos (novos ou velhos), mas por empresas… Um pequeno detalhe.

 

A troika, e em particular o FMI, fala dia sim dia não, dá conferências, participa em debates, opinando e decretando sobre quase tudo, às vezes de uma maneira dúbia. Bem sei que nos emprestaram dinheiro e com eles foi assinado um acordo. Mas custa-me assistir a estes ditames mediáticos de funcionários de organizações internacionais, como se o país não tivesse órgãos políticos democraticamente eleitos. Façam o que têm a fazer em silêncio, mas não exagerem no protectorado. Poupem-nos a ter de ler o que, há dias, o 1.º responsável do FMI disse: "estamos no bom caminho…  não devemos fazer algo que nos compare à Grécia nesta fase". Repare-se no uso da primeira pessoa do plural…

 

Economista e ex-ministro das Finanças em governo PSD/CDS

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