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Esta gente má vai ficar impune?

Milhares de miúdos vão para as escolas em jejum. O pior é que a propaganda governamental, cega e surda, diz que estamos no bom caminho. O direito à indignação (...) tem de ceder o lugar à sublevação.

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Chegou a hora de fazer o balanço e de prestar contas. Que fizeram por Portugal Pedro Passos Coelho e os seus? Que fins desejaram atingir, em nome de quê e de quem? Aquele "vamos empobrecer", formulado logo ao princípio do mandato, possuía um tom lúgubre. E a afirmação de que havíamos gasto mais do que podíamos só poderia ser tomada como brincadeira de mau gosto. Falando por mim, falo por milhões de portugueses, atingidos por uma política insana e, por insana, inexplicável. Ou não tão inexplicável como isso. As peregrinações sistemáticas à Alemanha, a subserviência revoltante à execrável Angela Merkel e o dedo espetado do ministro germânico das Finanças, figura inquietante, forneciam-nos um retrato pouco digno daqueles que haviam trepado ao poder e diziam falar em nome de um povo.


Há qualquer coisa de repugnante em todos estes anos. Passos Coelho vai ficar impune de punição? Qualquer governo, digno desse nome, deseja a felicidade e a prosperidade dos governados. Qualquer um, menos este.


Somos menos e mais desesperados. Cerca de 400 mil saíram do País, pressionados pela ausência de emprego e de trabalho, e sugestionados não só por Passos Coelho como incentivados pelo inconcebível Miguel Relvas, doutor e tudo. A miséria não se quedou nesta depredação humana. O desemprego atingiu faixas nunca antes vistas. Milhares e milhares de pequenas e médias empresas encerraram, como as de restauração, por exagero de impostos. O funcionalismo público foi atingido por uma violência de cortes inimaginável. A educação, a saúde, a segurança social foram estropiadas, dando caminho à ganância privada e à abertura ao lucro desenfreado. Milhares de miúdos vão para as escolas (quando os pais podem) em jejum. O pior é que a propaganda governamental, cega e surda, diz que estamos no bom caminho. O direito à indignação, ante estas torpes mentiras e os crimes de que somos vítimas, tem de ceder o lugar à sublevação.


O Syriza é olhado pelos membros do Governo português como um bando de desenfreados, ignorando as humilhações que a Alemanha tem infligido àquele povo admirável. Tudo isto envolvido numa neblina de condescendências aos grandes interesses económicos. Nada de crítica, nenhum protesto perante este cerco alemão, aliás com a alegre aquiescência do "socialista" François Hollande, que deixou a França de rastos diante do seu inimigo histórico. O homem é um pobre tonto e abriu as portas à nova ascensão da Direita, quase dando o braço à Frente Popular.


Cá por casa, a reconstrução da vida política e social vai ser uma tarefa de envergadura. E receio, receio muito, que o PS de António Costa vacile no momento das grandes decisões. O balanço feito ao Governo não pode ser pior. É o pior de todos aqueles saídos de Abril. E o Dr. Cavaco, feliz e lampeiro, anda por aí a dizer banalidades. Quem nos acode?


Morte de um grande jornalista
Tolentino de Nóbrega, que morreu com 63 anos, era uma honra da profissão, uma das raras, e um camarada exemplar. Ser jornalista é perigoso, sê-lo na ilha da Madeira, de Alberto João Jardim, pior ainda. Tolentino nunca se encolheu. Devo-lhe a grandeza do ser e a amizade sempre presente. Um dia, o Jardim moveu-me um processo por difamação. Lá fui à ilha, e lá estava à minha espera o meu camarada Tolentino. A demanda ficou em águas de bacalhau. E recordo a alegria espelhada no rosto do meu amigo, que me abraçou com a força do querer. Tolentino de Nóbrega. Adeus. 

 

 

b.bastos@netcabo.pt

 

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