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Baptista Bastos b.bastos@netcabo.pt 04 de Outubro de 2013 às 09:56

O sinuoso caminho do futuro

O PSD tem outros problemas, além dos determinados pela estrondosa derrota de domingo. Que vai fazer com ela, que configura uma perturbadora humilhação; mas, também, com a inesperada vitória do CDS, agora com cinco câmaras?

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O PSD tem outros problemas, além dos determinados pela estrondosa derrota de domingo. Que vai fazer com ela, que configura uma perturbadora humilhação; mas, também, com a inesperada vitória do CDS, agora com cinco câmaras? O regozijo de Paulo Portas, manifestado com palavras e sorrisos largos, deixa prever um bulício na coligação, antes imponderado. Portas, como se sabe, não é homem para se consagrar ao sossego e à obediência exigida pelas características das coligações. E não está inteiramente de acordo com as decisões de Passos Coelho sobre política social. Já bateu com a porta, altaneiro, regressou, cabisbaixo, mas, agora, o seu poder é outro. Pode impor decisões, e é muito bem capaz disso, que não agradem a Passos, e a aquiescência deste não vai durar.


Por outro lado, é preciso não esquecer os inimigos internos que cercam o presidente do PSD. Manuela Ferreira Leite, António Capucho e o medonho Pacheco Pereira são os rostos visíveis da contestação e do verdete. Eles são contrários às políticas económicas e anti-sociais levadas a cabo nos últimos dois anos, e que desgraçaram grande parte do povo português, além do infortúnio moral e da desagregação causados.


Quando, na noite da derrota eleitoral, Pedro Passos Coelho, sem pejo nem sensibilidade, declarou, enfático, que "o rumo vai prosseguir", procedeu a uma nova declaração de guerra contra uma nação que o detesta. Mais: acentuou a sua obstinação em continuar o projecto de Vítor Gaspar, que o próprio Vítor Gaspar condenou, escapando-se pela direita baixa de um Governo que conduzira ao abismo.


O homem não tem juízo. Um país rebela-se, com indignação, contra a indignidade, e ele, indiferente e soberbo, faz de conta que não ouve, não sabe, não vê. Tudo isto com a cumplicidade do dr. Cavaco, o Presidente que o não sabe ser, e que assiste ao descalabro, sem dizer outra coisa que não sejam aqueles discursos vazios de sentido e de idioma rasteiro.


Informo ou reinformo o que já aqui disse. A França da Renascença, depois da derrota nazi, criou, para os colaboracionistas, a figura jurídica de "indignidade nacional." Foram muitos os franceses, alguns de grande nome no teatro e no cinema, na literatura e no jornalismo, condenados em tribunal por traição à pátria. Mas houve quem resistisse, e pagasse com a vida a sua devoção e sentido da honra. As ruas de Paris estão cheias de pequenas placas, em memória daqueles que, apanhados nas malhas da Gestapo, foram executados em pela luz do dia. E a história da traição e da delação está contida em milhares de documentos e de livros, que elegem a decência como esteio da coragem e da nobreza de espírito.


Estes que tais e outros que têm, por exemplo, feito negócios bancários à custa das fragilidades do nosso sistema, deveriam, ou não, ser apontados à execração pública, através de julgamentos morais?


O que este Executivo tem praticado apenas deve ser condenado através de eleições? Os danos provocados por uma política cega, de servidão e vassalagem ao estrangeiro, vai passar impune, para lá da condenação moral? A indignação generalizada está a deixar de se larvar para se constituir como uma onda. As eleições, as imponentes manifestações de 15 de Setembro do ano passado, os comentários de alguns articulistas, ainda não estipendiados, as vozes livres (escassas) que se escutam conferem às nossas dores algum lenitivo. Mas não basta. Não é uma questão política, de ideologia e de orientação partidária; é, sim, o dilema que se nos propõe de salvar a pátria de um bando de faias.


As indicações que nos são dadas induzem à ideia de que o PSD vai, também, perder as legislativas. Que vai fazer António José Seguro?, cuja determinação parece débil, e incapaz de efectuar a ruptura histórica que o momento exigia e reclama.


A questão está em aberto. E enquanto a euforia da vitória atenua as crispações no PS, e o espaço político português surge com novas e diferentes interrogações, todos nós aguardamos, expectantes, o filme que segue. Passos já foi. E Seguro para aonde vai?

 


b.bastos@netcabo.pt

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