Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 16 de outubro de 2013 às 23:00

A austeridade não chega aos políticos?

O governo deveria ter a coragem de perceber que os sacrifícios pedidos ao cidadão comum são tão graves que a classe política não pode ficar de fora.

Take 1 - O governo decidiu que os titulares de cargos públicos não podem optar pelas reformas quando no exercício dessas funções tenham um salário. Nada mais justo: se alguém, já depois de atingida a idade de reforma, volta à vida activa deve receber uma prestação do seu empregador e não do sistema de pensões (Segurança Social ou Caixa Geral de Aposentações).

 

O problema é que a lei prevê que a escolha obrigatória só vigore a partir de Janeiro de 2014. Solução que deixa de fora, por exemplo, o Presidente da República e a presidente da Assembleia da República. Tanto um como outro, recorde-se, optaram por receber a reforma (que é mais elevada) e não o salário relativo aos cargos que desempenham. 

 

Take 2 - Os políticos que tenham um rendimento acima de dois mil euros, ou valores mobiliários superiores a 100 mil euros, perdem o direito à totalidade da "pensão política". Se o rendimento ou o património forem inferiores àquele valor, mantém-se parte da subvenção, para cobrir a diferença até aos dois mil euros.

 

"Not enough". O governo deveria ter a coragem de perceber que os sacrifícios pedidos ao cidadão comum são tão graves que a classe política não pode ficar de fora. Por mais que isto doa a quem, à Esquerda e à Direita, vive de "pensões políticas" (e dói muito, como se viu pelas críticas de Manuel Alegre que qualificou os cortes como "uma manobra contra os políticos"…). Ou seja, as excepções deveriam ficar para quem não tem outros meios de subsistência que não a pensão e Cavaco Silva e Assunção Esteves não deviam poder optar pela reforma. O país precisa de saber que não há filhos (os políticos) e enteados (os restantes cidadãos).

 

camilolourenco@gmail.com

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