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A JM, a competitividade e a "caça ao mensageiro"

Os impostos tornam as economias menos competitivas. A frase, muito utilizada aqui, parece um cliché. Mas não é. Como se vê pela saída da Jerónimo Martins e de outras empresas que se lhe seguirão.

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Os impostos tornam as economias menos competitivas. A frase, muito utilizada aqui, parece um cliché. Mas não é. Como se vê pela saída da Jerónimo Martins e de outras empresas que se lhe seguirão. Fora as que não vêm para Portugal, precisamente por causa dos "ónus" que não podem, ou não querem, suportar: um empresário é alguém que aplica capital em troca de certo retorno. Se as condições do sítio onde investiu prejudicam esse retorno, vai para onde lhe derem mais vantagens.

Voltemos à Jerónimo Martins. O grupo diz que mudou para estar num mercado sem problemas de financiamento, mas é indiscutível que a questão fiscal pesou na decisão. Até porque Portugal não é um modelo de estabilidade fiscal: o que é hoje, amanhã deixa de o ser. Mas as críticas que se levantaram ontem, nomeadamente nas redes sociais (curiosa a reacção do PS, que só tomou posição depois do "bruááá" no Facebook), falham o alvo. São um ataque ao mensageiro... não ao verdadeiro culpado: o Estado, que por gastar demais, exagera nos impostos.

É aborrecido ver um grupo nacional, que diz apoiar produtores portugueses, sair do país? É. Mas não o podemos condenar. Porque a função da gestão é maximizar o retorno dos investidores. E se os "indignados" estão realmente indignados, têm boa solução: obriguem o Estado a gastar menos. Só assim poderemos ter carga fiscal mais baixa e menos problemas de financiamento.

P.S. - Não devo nada a Soares dos Santos. Há uma década processou-me e à revista "Exame", que na altura dirigia, por causa de um artigo sobre os problemas de governação do grupo.

camilolourenco@gmail.com

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